Brasília - A rivalidade entre São Paulo e Corinthians parou no Senado. Durante reunião entre dirigentes e senadores em Brasília, Juvenal Juvêncio e Andres Sanchez, presidentes dos dois clubes paulistas, respectivamente, trocaram ofensas na frente de vários políticos e cartolas.
No encontro, foram discutidos temas como pré-sal e a Lei Pelé. A confusão começou quando Juvêncio, presidente do São Paulo, falou sobre as alterações na Lei Pelé. Ele reclamou do ''roubo'' de jogadores - Oscar, Lucas Piazon e Diogo estão em litígio com o clube.
Sanchez interpretou a queixa como uma indireta ao Corinthians, que estaria interessado em contratar Piazon. De acordo com pessoas presentes à reunião, o dirigente corintiano interrompeu o discurso de Juvêncio e, aos berros, chamou-o de ''mentiroso'', além de acusar o São Paulo como ''o clube que mais rouba jogadores no Brasil.''
''Não houve briga. Até o Juvenal deu risada, mas o que eu falei é verdade'', disse Sanchez após a reunião. A discussão entre os dirigentes esquenta ainda mais o clima para o clássico entre Corinthians e São Paulo, que se enfrentam domingo, às 16 horas, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista.
CLUBE FORMADOR
Os dirigentes dos principais clubes de futebol do País estiveram no Senado para pedir a votação do projeto de lei do clube formador. Acompanhados do ministro do Esporte, Orlando Silva, eles ouviram - do governo e da oposição - a promessa de que o tema será colocado em pauta nos próximos dias. Já aprovado pela Câmara dos Deputados, o projeto de lei pretende reduzir a saída de jovens esportistas para o exterior, além de valorizar o papel dos clubes formadores em contratos firmados. A medida atinge atletas de 14 a 19 anos.
O texto diz que ''a contratação do atleta em formação será feita diretamente pela entidade de prática desportiva formadora, sendo vedada a sua realização por meio de terceiros''. Também destina até 5% dos valores de contrato para as entidades que contribuíram para a formação do atleta. ''As mudanças são muito importantes porque protegem o clube formador'', avaliou o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo. ''Hoje, os jogadores são surrupiados no meio da coisa e o clube não recebe nada''.
Para a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, o projeto permite que ''o jogador jovem não caia na mão de empresários cedo''. ''Se eles têm a possibilidade de um pouquinho mais cedo fazer o contrato com o clube, não ficam refém do empresário de futebol'', disse a dirigente. Ela estima que o Flamengo gaste R$ 15 milhões por ano nas suas equipes de formação - de futebol, basquete, ginástica e outros esportes.
O time de dirigentes que compareceu ao Senado foi reforçado pelos presidentes de Botafogo, São Paulo, Corinthians, Guarani e Goiás. Da parte do governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que está sendo feito um entendimento na Casa para a votação. ''Queremos aprovar na próxima semana, em regime de urgência, a mudança da Lei Pelé e o Estatuto do Torcedor, que evita violência nos estádios'', disse. A intenção é aprovar o texto da forma como passou pela Câmara, sem alterações.

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