Um ano antes da próxima eleição na Federação Paranaense de Futebol (FPF), prevista para 30 de abril de 2008, os cartolas do Paraná começam a articular um movimento para acabar com o reinado do intocável Onaireves Nilo Rolim de Moura, no cargo há mais de 20 anos. O até agora mal-explicado desprezo da CBF com o Paraná em relação à Copa de 2014 foi a gota d'água para a mobilização.
Ninguém confirma oficialmente nomes de candidatos e quem estaria encabeçando a revolução no futebol estadual. Ontem, os boatos de que cartolas da capital lançariam o presidente do Londrina, Peter Silva, para candidato a sucessor de Moura, foram grandes. O dirigente alviceleste teria dois pontos em seu favor: já presidiu a Futebol Brasil Associados (FBA), que reúne os clubes da Série B do Campeonato Brasileiro, e tem trânsito livre com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Peter confirmou que houve a sondagem, mas descartou ser o candidato. ''Há um grupo de empresários e presidentes de clubes descontentes e me procuraram. Coloquei-me à disposição para ajudar, mas já avisei que não sou candidato. Meu projeto é a reeleição no Londrina. Já disse que meu projeto aqui é de quatro anos pelo menos'', explicou o presidente do Tubarão, que não quis avaliar a administração de Moura.
Peter não entrou em detalhes quanto ao movimento, ainda sigiloso. O assunto o incomoda visivelmente e ele evita falar. Mas a Folha apurou que o movimento ganha força e adesões a cada dia. Uma fonte informou que dois cartolas encabeçam o grupo dos descontentes: o presidente do Coritiba, Giovani Gionédis, e o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, Mário Celso Petraglia. Eles teriam como aliado Ricardo Teixeira, que já teria perdido a paciência com Moura.
Gionédis esteve ontem em Londrina e teria se reunido com Peter para tratar o assunto. A reportagem da Folha o flagrou em uma sala do mesmo hotel onde o presidente alviceleste concedia uma entrevista coletiva para apresentar a nova diretoria de futebol do clube.
Outro nome forte na lista seria o do advogado Domingos Moro, que já foi diretor do Coritiba. Ele disse ontem desconhecer o assunto. ''Extra-oficialmente meu escritório está até proibido de entrar na Federação, imagina se eu for candidato'', disse, referindo-se ao episódio envolvendo o Rio Branco, que é seu cliente. ''O que sei é que houve pesquisas em sites e apareci com uma boa aceitação'', lembrou.
Mais um nome forte é o do empresário Joel Malucelli, ex-presidente do Coxa. Caso nenhum deles aceite, o grupo pode então tentar seduzir algum político com credibilidade. Neste quadro, o presidente da Paraná Esporte, Ricardo Gomyde, (PC do B), desponta como favorito.

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