Cartolas aproveitam Copa para prolongar mandatos
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domingo, 03 de fevereiro de 2008
Amanda Romanellie Martín Fernandez<br> Agência Estado 
São Paulo - Os cartolas que comandam as federações estaduais de futebol no Brasil resolveram pegar carona no fato de o País ter sido escolhido para organizar a Copa do Mundo de 2014 e resolveram continuar desfrutando do poder por mais alguns anos. Como? Ampliando os próprios mandatos, a reboque do que fez o presidente da CBF, Ricardo Teixeira - dirige a entidade desde 1989 e já deu um jeito de ficar até o fim de 2014. Até agora, oito presidentes de federações já estenderam seus ''reinados'' e vários outros planejam seguir o exemplo.
A manobra mais notória foi a de Marco Polo Del Nero, da Federação Paulista de Futebol (FPF), que há três semanas se garantiu no poder até 2015. Só que, de maneira bem mais silenciosa, seus colegas de Acre, Amapá, Amazonas, Espírito Santo, Maranhão e Santa Catarina já haviam feito o mesmo, no ano passado.
Há uma semana, o presidente da Federação do Distrito Federal, Fábio Simão, ampliou seu mandato só até 2012. Explica-se: Brasília certamente receberá jogos do Mundial de 2014 e Simão já teve a garantia de que participará da organização.
Todos os cartolas com mandatos já prorrogados o fizeram por meio de assembléias-gerais, como prevêem os estatutos das federações e a Lei Pelé. ''De ilegal não tem nada'', diz o advogado Gustavo Vieira de Oliveira, integrante do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo. ''Mas certamente é imoral. É por esse tipo de atitude, de apego ao poder, que o esporte no Brasil é subdesenvolvido do ponto de vista administrativo.''
As justificativas para a manobra são as mais variadas. ''Seguimos uma sugestão da CBF'', explica o presidente da Federação Capixaba, Marcus Vicente. ''A CBF não tem nada haver com isso'', rebate Francisco Noveletto, do Rio Grande do Sul. Rosilene Gomes, da Paraíba, concorda com o dirigente gaúcho. ''Não foi Ricardo (Teixeira) quem quis isso. Foram federações que têm clubes da Série A'', revela.
A CBF não comenta o assunto. José Maria Marin, um dos vice-presidentes da entidade, declarou que as federações ''se adequaram'' ao que a CBF já havia feito.
Francisco Tomáz, presidente da Federação do Amazonas desde 1992, não esconde a vontade de estar no poder quando a Copa chegar ao Brasil. ''Não faz sentido a gente trabalhar tanto tempo pelo futebol e ter que deixar o cargo logo quando vai ter um Mundial aqui'', justifica.
Antônio Lopes está no poder no Acre desde 1984 e já perdeu a conta de quantas vezes foi reeleito. ''Quatro. Não, cinco. Não, não, foram quatro mesmo'', enumera. A última delas o garante até 2014. ''Quando entrei não tinha nem estatuto. Agora temos sede própria e um estádio quase pronto.''
Delfim de Pádua Peixoto Filho manda no futebol catarinense desde 1986. Em outubro de 2007, em assembléia-geral, esticou o próprio mandato até 2015. E lamentou não ter oposição. ''Eu gostaria de ter alguém com quem concorrer'', admite. ''Mas, infelizmente...''
Presidente da Federação Maranhense desde 1991, Carlos Alberto Ferreira ressalta que foi reeleito para seu quinto mandato por unanimidade. O Maranhão não está contemplado no projeto da Copa de 2014. Nada que abale Ferreira. ''O Ricardo Teixeira garantiu que todos os presidentes de federação vão ajudar na organização. Vamos montar grupos de trabalho'', afirma o dirigente.
Em comum a todos eles, a fidelidade a Ricardo Teixeira. ''As pessoas falam mal, mas o País tem conquistado posições importantes por causa dele'', diz o presidente da Federação Baiana, Ednaldo Rodrigues.


