Cartola chama Eurico de 'vaca louca'
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
No depoimento que prestaram ontem à CPI do Futebol, no Senado, os ex-conselheiros do Vasco da Gama, Levi Lafetá e Hércules Santana, responsabilizaram o presidente do Clube, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), pelas irregularidades constatadas no Vasco nos últimos 20 anos. Eles apresentaram cópias de atas do clube, de 1998 e do ano passado, nas quais Eurico afirma que não tem de prestar contas de nenhum de seus procedimentos, referindo-se a dois fatos: o dinheiro recebido da Vasco Licenciamento S/A (Vascolic S/A) e o sumiço da renda de um jogo do Vasco - durante um assalto que ele disse ter sofrido quando chegava em casa carregando a bilheteria do dia. Uma outra ata, de 1994, comprova a existência de Caixa 2 no clube.
Eurico Miranda é a vaca louca do Vasco da Gama, afirmou Lafetá, explicando que, com a comparação, quer mostrar que o deputado não age no interesse do clube. No dizer do presidente da comissão, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), os dois depoimentos são uma amostragem da anarquia e da irresponsabilidade na administração do futebol brasileiro. Hércules Santana disse aos senadores que, em 1997, mesmo ocupando um cargo no conselho deliberativo do Vasco, nunca conseguiu saber se entrou no clube os US$ 8 milhões obtidos na venda do passe de Edmundo para o Fiorentina, na Itália. Segundo ele, o passe do jogador foi comprado um ano depois por US$ 15 milhões.
Nas duas ocasiões, de acordo com Santana, um dólar correspondia, respectivamente, R$ 1,20 e R$ 1,70. Segundo ele, isso demonstraria que o prejuízo do Vasco foi maior do que o revelado pela diferença no valor do passe. Santana disse que o conselho fiscal funcionava como uma farsa, sem ter acesso a nenhum tipo de documento sobre a movimentação financeira do Vasco. Ainda assim, avalizava todos os atos executados por Eurico ou por seus aliados. Eurico era o primeiro-ministro e os outros eram a rainha da Inglaterra, ironizou o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Levi Lafetá disse que tentou contestar essa situação na Justiça, mas que todas as vezes os juízes alegaram que não poderiam agir porque os atos estavam protegidos pelo estatuto do clube. Para o relator da comissão, senador Geraldo Althoff (PFL-SC), esses estatutos arcaicos são mantidos por boa parte dos clubes brasileiros que não estão preparados para a nova realidade do futebol.
Levi Lafetá foi contestado pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ao denunciar desvio de parte dos US$ 2,5 milhões obtidos na venda do passe de Bebeto para o La Coruña, da Espanha. Lafetá citou José de Moraes como intermediário da transação irregular, embora não estivesse capacitado para isso. Moraes se defendeu ao final dos depoimentos, apresentando documentos que comprovariam a legalidade da operação. Ele disse que pretende depor na CPI para explicar toda a situação.


