Ed Carlos Rocha
Fernando Tupan
De Curitiba
Passadas sete rodadas no Campeonato Brasileiro, a suspensão automática por cinco cartões amarelos, implantada este ano na competição, começa a dividir a opinião dos jogadores. No geral, a divisão é bem clara. Quem ‘‘caça’’ em campo, como os zagueiros e volantes, está achando bom o aumento de três para cinco cartões. Já quem é ‘‘caçado’’, como os meias e atacantes, acha que a mudança está instigando a violência.
O aumento da violência, ou mais precisamente no número de faltas, fez até a CBF tentar convencer os clubes a aceitarem uma redução novamente para três cartões. o que foi recusado. A CBF vai fazer uma parcial na média de faltas na metade do campeonato, mas já admite que a suspensão por cinco cartões aumentou o número de faltas.
Quem tem a obrigação de não deixar o adversário jogar aprova os cinco cartões, mas não vincula isso a mais violência. ‘‘Não é que a gente vá sair dando pancada em todo mundo. Mas é bom porque, às vezes, numa falta normal de jogo a gente acaba tomando o cartão e, logo, fica suspenso. Com cinco cartões, acontecerão menos suspensões’’, afirmou o zagueiro Flávio, do Coritiba.
Reginaldo, zagueiro capitão do Atlético, que já levou quatro cartões, aprova a medida, mas também não vê aumento da violência. ‘‘Não sou violento. Há uns 4 anos que não sei o que é tomar um vermelho. Levo amarelos por fazer falta quando sou o último homem’’.
Mas para quem tem a incumbência de passar pelo adversário, a suspensão por cinco cartões está dificultando ainda mais. ‘‘Está nítido nos jogos que a pegada está mais forte. O pessoal não está maneirando e isso dificulta para a gente, que precisa sempre estar driblando’’, avaliou o atacante Basílio, do Coritiba.
O atacante Ilan, do Paraná Clube, também não aprova os cinco cartões. Ele diz que faz peripécias para fugir de soco e cotoveladas dentro da área. ‘‘A mudança melhorou para os zagueiros e os meias que gostam de praticar o antijogo’’.
Para o meia Adriano, do Atlético, a suspensão com cinco cartões não vale nada se os árbitros não distribuírem mais cartões. ‘‘Estão sendo convenientes com as faltas. A zaga atropela, bate e o cartãozinho fica guardado’’.
Mas, mesmo entre os atacantes, há quem prefira ver o assunto de uma forma diferente. Fernando Diniz, do Paraná, observa que a questão não é o número de cartões, mas sim como são aplicados. ‘‘O cartão não coíbe a violência. A questão é o árbitro, que não tem critério para parar com a violência. Às vezes um atleta faz repetidas faltas sem que ganhe uma advertência’’, alerta.

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