Cartão vermelho para violência
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Camila Mattoso e Adriano Maneo<br>Folhapress 
São Paulo - A Polícia Civil fez uma operação na madrugada de ontem para identificar e prender torcedores de organizadas envolvidos em brigas no Estado de São Paulo. Mais de 20 torcedores foram detidos na operação, que é denominada Cartão Vermelho. Ao todo, foram emitidos mais de 60 mandados de busca e apreensão.
A operação foi realizada com cerca de 200 policiais civis em São Paulo, Guarulhos, Campinas, Santos e outros municípios da Grande São Paulo. A ação tem como alvo os envolvidos em quatro episódios de confrontos violentos entre torcedores em 2016, sendo que os principais deles aconteceram na capital no domingo (3), entre torcedores de Corinthians e Palmeiras, que ocasionaram a morte de um torcedor e deixaram vários outros feridos.
As sedes das torcidas organizadas Gaviões da Fiel, Pavilhão 9 e Camisa 12, do Corinthians, e Mancha Verde (na capital e na Baixada), foram vasculhadas por meio de mandados de busca e apreensão, assim como as casas de membros da Independente, organizada do São Paulo.
Os tricolores entraram na mira da Polícia Civil após brigarem entre si após derrota para o Palmeiras no Pacaembu, em março. Entre os detidos está o torcedor corintiano Helder Alves Martins, que assumiu a autoria do disparo de um sinalizador que matou o garoto Kevin Beltrán Espada em Oruro, em 2013, durante jogo da Libertadores entre San Jose e Corinthians. Ele pertence à Gaviões da Fiel.
Helder teria participado de briga ao lado da estação Clínicas do metrô, local próximo ao Pacaembu, onde ocorreu o clássico. Além dele, outros quatro envolvidos no episódio foram detidos.
O presidente da Pavilhão 9, Philip Gomes Lima, e o ex-presidente da Gaviões, Wellington Rocha, não foram encontrados nos endereços buscados pela polícia e são procurados.
MANCHA VERDE
O presidente da torcida organizada palmeirense Mancha Alviverde, Anderson Nigro, conhecido como Nando, também foi preso durante a operação Cartão Vermelho. Nigro foi detido por desacato. Segundo o secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, "ele queria impedir a entrada das pessoas [que realizavam as buscas] no segundo pavimento [da sede da torcida], começou a se exaltar e foi detido". O secretário informou que Nigro assinará um termo circunstanciado e será processado em liberdade, "em virtude da pouca gravidade do fato". Ao todo, a Justiça emitiu 69 mandados em sete cidades de São Paulo e em Uberaba (MG). Foram 32 mandados de busca e apreensão e 37 de prisão - dez temporárias e 27 preventivas. O secretário também disse que a operação apreendeu vários celulares, e que já foram encontradas conversas que provam a participação de alguns indivíduos nos confrontos entre torcedores corintianos e palmeirenses no último clássico no início deste mês. "Encontramos conversas entre torcedores, um preocupado com o outro, com as imagens da televisão. Em outra conversa se vangloriando, dizendo que chutou um, que bateu no outro. Tem muito material", disse Moraes. A Secretaria da Fazenda também participou da operação. Segundo o secretário, o órgão fará um "pente fino" nas contas das organizadas.


