Carros voam sem asa em Hockenheim
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de julho de 1997
Livio Oricchio Agência Estado 
Arquivo FolhaCotadoPedro Paulo Diniz pode ser companheiro de Ralf Schumacher em 98 A cara que a Fórmula 1 mostrou ontem no veloz e bonito circuito de Hockenheim lembrou a categoria anterior ao marcante GP da Bélgica de 68. Quase 30 anos se passaram desde que a Ferrari experimentou, naquela prova, pela primeira vez num carro de F-1, uma asa, ou aerofólio. Ontem, na hora da inspeção dos monopostos que hoje começam a treinar para o GP da Alemanha, os fiscais se surpreenderam: eles quase não usavam asa traseira. A Williams foi quem mais radicalizou, ao suprimir por completo a porção superior do aerofólio. O mais importante nesta pista formada quase só por retas é ter velocidade final elevada, explicou o canadense Jacques Villeneuve, que pilotará a Williams.
Para o brasileiro Pedro Paulo Diniz, da Arrows, a maior aderência dos pneus nesta temporada, motivada pela concorrência entre a Goodyear e a Bridgestone, ficará bem clara em Hockenheim. A drástica redução que experimentamos na superfície das asas é decorrente de os pneus estarem fornecendo aderência extra, diz. Ontem seu nome surgiu com força como possível candidato à vaga de companheiro do alemão Ralf Schumacher na Jordan em 98. Ele já conhece o motor Mugen Honda que o time de Eddie usará, por ter corrido na Ligier-Mugen, em 96. Além de Diniz, outro brasileiro concorre à vaga: Ricardo Zonta, que amanhã disputa também em Hockenheim, a sexta etapa da F-3000.
Schumacher voltou a comparar o traçado de Hockenheim com o do Canadá, onde venceu. Disputaremos a vitória, não tenho dúvida, me preocupa apenas a resistência do motor, já que em Monza, semana passada, dois dos nossos V-10 se romperam. A pista alemã é onde os motores mais tempo trabalham nos regimes mais elevados de rotação, que no caso das unidades Mercedes, Renault, Ferrari e Peugeot, significa algo em torno de 17.000 rpm. Como sua solicitação é extrema, costumam não suportar. Foi o que aconteceu por exemplo com o austríaco Gerhard Berger, ano passado, a três voltas do final, quando era líder do GP da Alemanha e o motor Renault da sua Benetton quebrou.
Berger iniciou ontem seu retorno à F-1, afirmando que não correrá pela Benetton em 98. Não decidi ainda o que irei fazer, posso adiantar que tenho bons convites, mas se continuar competindo, será necessariamente na F-1. O suíço Peter Sauber já lhe formulou proposta para disputar o próximo campeonato pela sua organização. De hoje até domingo o assunto mais discutido no autódromo será o das transferências de pilotos.


