Milhares de jovens de todas as idades cercando a reta oposta dos boxes, adrenalina na pista e um barulho ensurdecedor com os carros alinhando para largar e queimar pneu no asfalto. A cena se repetiu dezenas de vezes ontem, no Autódromo Ayrton Senna, de Londrina, durante a 3 etapa da Copa Paraná de Arrancada. A competição reuniu cerca de 140 carros, desde Fuscas ''mexidos'' com motor turbo, até potentes Opalas e Mavericks totalmente modificados para acelerar em apenas apenas 400 metros de reta.
400 metros é o que os carros aceleram em Curitiba, porém, no Autódromo de Londrina, pela fato de ter retas curtas, a competição é somente num trecho de 201 metros. Entre os recordistas neste trecho ontem estavam o toledano João Eugênio Pletsch, o 'Nico', e o pontagrossense Gilson Foltran, os dois com violentos Mavericks V8, embora correndo em categorias diferentes. Além deles, entre os mais rápidos estava o Opala 6 cilindros de Jairo Dalla Valle, de Pato Branco, líder da categoria Super Street Tração Traseira. Os três faziam o trecho de 201 metros em menos de 7,5 segundos.
O melhor tempo da tarde foram os 7,13 segundos de Nico. Seu Maverick compete na categoria Estruturada, a mais forte, e é um verdadeiro dragster. O carro chegava a dar saltos na hora de largar, levando a galera ao delírio. A aceleração desses carros é tanta, que chegam a ''fritar'' os pneus traseiros no asfalto, deixando um rastro de fumaça no ar e o público em polvorosa.
Outra atração foi a presença do dragster importado (motor Chevrolet V8 de 1.100 cavalos) do piloto Arlindo Pereira da Costa, de Guarapuava, que largou sozinho para não causar acidentes. O carro, que já esteve no autódromo local no ano passado, larga como um foguete e tem apenas duas marchas, passando dos 200km/h nos 200 metros autorizados.
O piloto Gilson Foltran, 43 anos, contou à FOLHA a emoção que os competidores sentem dentro do carro na chamada ''hora da verdade''. ''Naquela hora em que estamos emparelhados, não queremos saber de jeito nenhum de perder do outro, principalmente se ele está com um tempo melhor que o meu. A gente sabe que compete contra o tempo, mas dá muito mais adrenalina largar do lado de outro cara do que sozinho'', disse. Seu gasto, apenas para colocar o carro na pista, é de R$ 6 mil por temporada.
Outro piloto, Marcelo Sulzbacher, 27, de Foz do Iguaçu, compete com um Gol turbo, modificado, de motor 2.0, que gera, segundo ele, 500 cavalos. ''Meu gasto só para montar esse carro foi de R$ 20 mil e ele não pode de jeito nenhum ser usado na cidade. Tenho que ter outro para usar no dia-a-dia''.
Assistindo da arquibancada, Geovane Dias Mendes, 25, e Guilherme Rodrigues, 24, vibravam como nunca. ''Isso aqui é massa. Muito melhor que corrida. É é ótimo para tirar o pessoal dos rachas na rua. Aqui é o lugar certo'', comentou Rodrigues.
A prova contou com apoio da Folha e do Vrum.

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