O sonho acabou. Pelo segundo ano consecutivo o Londrina termina a temporada de forma melancólica e antecipada. Numa tarde nebulosa, o time viu a água da chuva levar para o ralo a possibilidade de avançar no Campeonato Paranaense e, consequentemente, sonhar com um torneio de verdade para disputar no segundo semestre. Com a derrota por 2 a 0 para o Cascavel, resta ao Londrina o consolo de poder disputar a Copa Paraná, que reunirá os piores times do Estado a partir de agosto. Para se classificar, o time precisava vencer e torcer para que o J. Malucelli perdesse para o Cianorte, o que aconteceu. Mas o Tubarão não conseguiu fazer a sua parte.
A eliminação precoce já estava no planejamento da diretoria desde o início da montagem do time. O discurso era uniforme entre os cartolas antes e durante o campeonato. ''O time é limitado e jovem. Queremos apenas não cair e se possível revelar algum jogador'', afirmavam. Ontem, porém, não apareceu ninguém para falar. As jóias apareceram, como o trio de Diegos e o garoto Alan, resta saber se elas perderão o brilho com a eliminação e o que será feito com elas.
Fora do Paranaense, o Londrina deve iniciar uma limpeza no quadro de funcionários a partir de hoje. O rapa deve ser encabeçado pelo coordenador de futebol, Sidiclei Menezes, e vai atingir todos os setores. O supervisor João paulo Reeberg, o Pinheiro, já havia saído há alguns dias.
A derrota, a única em casa neste torneio, põe fim a uma participação cheia de confusões do Londrina no campeonato, que teve bate-boca pela imprensa entre técnico e presidente, agressão dos seguranças do clube a um repórter, apedrejamento ao ônibus do Rio Branco e acusação de suborno.
O jogo - O Londrina começou a partida numa velocidade incrível, mas abusou no desperdício das chances. Em menos de 20 minutos foram cinco gols perdidos dentro da pequena área cascavelense. A torcida fazia a sua parte e apoiava sem parar, mas a bola não entrava e o nervosismo aumentava. Quando os alto-falantes do VGD anunciaram o primeiro gol do Cianorte sobre o J. Malucelli, a empolgação nas arquibancadas aumentou e a falta de pontaria dentro de campo também.
Veio o segundo tempo e o Cascavel resolveu entrar em campo. Junto com a mudança de lado, veio um clima nebuloso da chuva que se anunciava. O sol e o calor sumiram. A escuridão que tomou conta do céu londrinense escondeu o futebol do Tubarão. No escuro, a defesa do Londrina não viu Carreta. De cabeça, o atacante atropelou os sonhos alvicelestes ao abrir o placar aos 3 minutos e fazer o gol da vitória aos 33. Foram os dois únicos gols do atacante cascavelense no campeonato, mas foram os suficientes para garantir, ainda que provisoriamente, o Cascavel na segunda fase e arrancar o choro de todo o time londrinense.
''Essa torcida não merecia isso'', lamentou o capitão Edmilson, aos prantos, enquanto arrancava a camisa para depois jogá-la aos torcedores que mesmo com a eliminação aplaudiram e gritaram os nomes de todos os jogadores e do técnico Mauro Madureira.




EM LONDRINA

Londrina 0

Nei; Cacá (Jefferson), Geilson, Neto e Altino; Wilson (Edson Baby), Edmilson, Caio (Júnior) e Diego Mineiro; Diego Macedo e Diego Silva. Técnico: Mauro Madureira

Cascavel 2

Gledson; Caio, João Renato, Tiago Soler e Cleiton; Grafite, Cristian(Rodrigo Costa), Rodrigo Caldeira e Gildazio; Carreta(Neto) e Mineiro (Jânio). Técnico: Val de Mello

Árbitro: Nilo Neves Souza Júnior
Estádio: VGD
Gols: Carreta, aos 3 e aos 33 minutos do 2º tempo

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