Arthur Augusto Franciscão de Menezes. Caratecas e técnicos de todo o Brasil se acostumaram a ouvir falar muito bem deste nome nos últimos anos. Dono de uma técnica apurada, o londrinense, que ainda nem completou 17 anos, já tem no currículo os títulos mais importantes do caratê, como o brasileiro, sul-americano e pan-americano. Conquistas estas que o colocam no time de grandes promessas da modalidade.
Mas como no esporte amador, poucas vezes o sucesso é garantia de um futuro tranquilo, Arthur já pensa na possibilidade de deixar a modalidade que pratica desde os seis anos de idade. Sem patrocinadores confirmados para 2013 e sem apoio da Confederação Brasileira de Karatê (CBK), o carateca da seleção brasileira júnior já cogita a possibilidade de trocar o quimono pelas chuteiras a partir deste ano.
Filho de ex-jogador de futebol, Arthur já integra o time sub-17 do Clube Atlético Londrinense (CAL) e a cada dia de incerteza que vive no caratê, a vontade de investir todo o seu gás na tentativa de entrar para o mundo dos boleiros aumenta. "Continuo treinando as duas, mas vai chegar uma hora que vou ter que escolher uma, senão não vou conseguir render o que preciso", comentou o carateca, sem esconder sua preferência pela bola. "Sempre gostei de jogar bola e hoje eu iria para o futebol. No caratê, sempre foi difícil ter patrocinadores e o futebol pode me proporcionar um retorno financeiro", justifica.
Principal responsável por fazer de Arthur um dos principais nomes do caratê brasileiro, o técnico Franck Oguido (Oguido/Mori/FEL) lamenta a possibilidade de perder seu grande pupilo para o futebol. "A gente sabe que o esporte amador é pouco valorizado no Brasil em relação ao futebol e nós sempre tivemos dificuldades. O Arthur é um atleta que chegou ao topo do caratê e mesmo assim o apoio é pouco", reclama.
Nem mesmo quando viajam para as competições da seleção brasileira, os atletas têm apoio da CBK. O financiamento das viagens sai sempre do bolso dos próprios pais e dos atletas, e de promoções realizadas pela própria equipe. "Pode até estar na seleção, mas se não tiver dinheiro para arcar com as despesas, o atleta não vai para as competições", critica o carateca.
No final de semana passado, Arthur e mais três atletas da equipe londrinense garantiram vagas na seleção brasileira do estilo "shorin-ryu" - um dos mais tradicionais do esporte – numa seletiva disputada em Praia Grande, no litoral paulista. Com a classificação, o quarteto terá a oportunidade de representar o País no Mundialito da Venezuela, em maio. A esperança deles é não esbarrar novamente na falta de dinheiro.
Thiago Tatsuya Nicio, 17, que foi prata na seletiva na categoria abaixo de 65 Kg, admite que por conta destas dificuldades leva o caratê apenas como "hobby". "Aqui no Brasil é mais difícil. Em outros países, como o Japão, o caratê é mais valorizado pelo governo. O Brasil tem um nível alto de praticantes, assim como no Japão, mas a diferença é o apoio", compara o carateca, que morou alguns anos no Japão, onde começou a lutar. No ano que vem, Nicio já decidiu que vai prestar vestibular para Agronomia.
Para Gabriela Kato, de 28 anos, prata na categoria "kata adulto" na seletiva, a confirmação da ida ao Mundialito significaria muito mais. "Gostaria muito de ir, pois seria minha última competição. Há três anos, fui ao Mundialito e fiquei em segundo, atrás de uma argentina. Agora quero ir para vencer e encerrar com chave de ouro", diz ela, que pratica o caratê desde os 17 anos.
O outro classificado da equipe para o torneio em solo venezuelano é Cristiano Martines, bronze no "kata adulto" masculino. Os três primeiros de cada categoria ganharam a chance de representar o time nacional.

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