São Paulo - O histórico gol que o meia-atacante Ahn Jung-hwan, 26, fez na prorrogação contra a Itália, terça-feira, custou-lhe o emprego. Inconformado com a eliminação de sua seleção nas oitavas-de-final da Copa, Luciano Gaucci, presidente do Perugia, da primeira divisão italiana, decidiu não renovar o empréstimo do sul-coreano, que terminará no final deste mês. Ele foi emprestado pelo Busan, da Coréia, em 2000, com opção de renovação.
A represália não pára por aí. O jogador será impedido até de entrar na sede do clube. O dirigente já avisou o atleta sobre a decisão. ‘‘Basta, esse [Ahn] não voltará a colocar um pé no Perugia. Não quero vê-lo mais, pois ofendeu o país que o acolheu. Já dei ordens para que ele não volte mais ao clube’’, afirmou Gaucci.
O dirigente classificou a passagem do sul-coreano pelo Perugia como decepcionante. ‘‘Estou indignado. Ele só despontou agora, no Mundial, quando se tratava de uma partida com a Itália’’, desabafou.
Gaucci disse que Ahn feriu o seu ‘‘orgulho de italiano’’ e um país que abriu as portas para ele, por isso decidiu não pagar um centavo a mais a quem ‘‘arruinou’’ o futebol da Itália, favorita para bater a Coréia e avançar na Copa.
Essa não foi a primeira vez que os italianos perderam uma partida decisiva com um gol na morte súbita feito por um atleta que defende uma equipe da Itália.
Na decisão da Eurocopa de 2000, a França ganhou o título graças a um gol de Trezeguet, após empate no tempo normal. O então algoz italiano já defendia a Juventus, de Turim, e teve tratamento diferente ao dispensado ao novo herói sul-coreano. Trezeguet não teve de encarar retaliações e continua na Juventus.
Já Ahn, festejado em seu país por ter assegurado uma inédita classificação às quartas-de-final para enfrentar a Espanha, sábado, deverá voltar a atuar na Ásia. ‘‘Ele que volte a jogar na Coréia para ganhar cem liras (R$ 0,10) por mês’’, disse Gaucci.
Ahn chegou ao Perugia após ter marcado 44 gols em 87 partidas, entre 1988 e 2000, pelo Busan. Em seu país, já era querido pelos torcedores e aumentava a sua renda com patrocinadores pessoais.
Na Itália, porém, nunca chegou a se destacar, tornando-se um eterno reserva. Em 25 partidas fez apenas cinco gols.

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