Além de mudar o sistema de marcação nas jogadas aéreas, o técnico Paulo César Carpegiani, do São Paulo, pediu que seus jogadores usem a malandragem para neutralizar o ataque da Portuguesa, no clássico de hoje, às 16 horas, no Morumbi, pelo Campeonato Paulista. ‘‘Quero que meus zagueiros joguem com picardia e malícia, utilizando o ombro para marcar o adversário na nossa área’’, disse o treinador.
A marcação não será mais individual. O objetivo, segundo Carpegiani, é defender por zona, como o time vinha atuando desde o início da competição. ‘‘Os uruguaios, por exemplo, são bons na marcação homem a homem; os brasileiros, não’’, comparou. A decisão foi tomada após a equipe ter sofrido quatro gols de cabeça diante do Palmeiras, domingo.
‘‘O jogador não pode ser tão ingênuo’’, observou. A velha estratégia, readotada pelo técnico, foi exaustivamente treinada ontem pela manhã, no CT. Aos gritos, Carpegiani orientou os atletas a abrir os braços a toda hora, numa tentativa de inibir a ação do adversário. ‘‘Essa movimentação faz com que o jogador contrário não tenha tanto espaço para tomar a iniciativa de subir’’, disse, preocupado com o bom aproveitamento de Emerson e César, zagueiros da Lusa, no cabeceio.
Em busca de experiência para a defesa, Carpegiani testou ontem pela manhã, o líbero Márcio Santos no lugar de Carabalí, com uma lesão na coxa direita. Edmílson, que, durante os jogos, se torna um terceiro zagueiro, foi deslocado para o meio. ‘‘Estou bem fisicamente, mas reconheço que ainda estou desentrosado’’, afirmou Márcio Santos. Carpegiani, contudo, não confirmou a alteração, preferindo aguardar pela recuperação de Carabalí. Nem, absolvido pela Comissão Disciplinar da Federação Paulista de Futebol (FPF), está garantido no clássico. França foi condenado a um jogo de suspensão, por agressão, e será substituído por Warley.
O técnico do São Paulo elogiou o trabalho feito por Zagallo no comando da Portuguesa. ‘‘Ele pegou um time montado, mas soube pôr o seu dedo e dar mais qualidade ao grupo’’, ressaltou. ‘‘O Zagallo nunca foi retranqueiro, como muita gente já disse. No Paulista, os treinadores farão um duelo à parte no clássico.
Pela primeira vez no Campeonato Paulista, o técnico da Portuguesa, Zagallo, deixa para o adversário a responsabilidade da vitória em um clássico. ‘‘O São Paulo é favorito por vários motivos: por tudo que vem fazendo em campo, é uma equipe ’solta’, com grande capacidade de reação (não esmorece em desvantagem), confiança, conta com bom banco de reservas e um técnico que sabe tirar proveito disso.’’
A partida é considerada uma decisão para o time do Canindé, que precisa vencer para manter as chances por uma vaga na semifinal do Paulista. ‘‘O que não pode acontecer é a derrota, que praticamente nos tira da disputa.’’ Mesmo admitindo desvantagem, o técnico da Portuguesa mostra otimismo, lembrando que o Corinthians, considerado favorito no último clássico, perdeu para seu time.


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