São Paulo, 26 (AE) - A lei do silêncio, antes uma arma dos corintianos para evitar o contato com a imprensa, contagiou Paulo César Carpegiani, o misterioso e imprevisível comandante do São Paulo. Na luta para conquistar o segundo título brasileiro de sua carreira de treinador - o primeiro foi em 1982 pelo Flamengo -, ele quer paz para armar sua equipe, distante de jornalistas e torcedores. A expectativa é por outras surpresas, a exemplo do que aconteceu durante toda a competição.
Esse, por sinal, é o estilo de Carpegiani, um técnico acostumado a trocar jogadores até quando a equipe está vencendo. Seu objetivo é preparar o São Paulo de acordo com as necessidades da partida, nem que seja necessário deixar no banco atletas experientes, como Raí, Márcio Santos e Carlos Miguel. Sob o seu comando, vários jogadores tiveram a oportunidade de vestir a camisa de titular. Alguns lhe agradaram, outros voltaram à reserva.
"Tenho na cabeça uma equipe-base, com uns oito atletas", definiu o treinador. Os demais são escolhidos por meio de uma série de testes e inovações táticas, às vezes confusas e difíceis de entender. Para evitar questionamentos, Carpegiani decidiu, na fase semifinal do Campeonato Brasileiro, promover treinos secretos. A estratégia visa também a atrapalhar os planos do pragmático Oswaldo de Oliveira, do Corinthians.
Suas experiências chegam a confundir os próprios atletas. No entanto, todos devem respeitá-las. Os descontentes são punidos, a exemplo de Márcio Santos, que um dia foi afastado do grupo por não aceitar a reserva. O goleiro Roger, então, desafiou o chefe ao posar nu para uma revista voltada ao público gay e teve de deixar o clube.
Carpegiani, contudo, não se define como autoritário. Considera-se apenas um disciplinador, que procura seguir as normas impostas pela diretoria do São Paulo. Seu contrato - verbal - acaba no fim do ano e seu futuro no Morumbi ainda é incerto. Aos 50 anos, faz questão de lembrar que não tem medo de perder o emprego. Seu sonho é voltar a comandar uma seleção numa Copa do Mundo e convites não lhe faltam. Até outros clubes já o procuraram, mas o gaúcho Carpegiani garante que não vai abandonar o Tricolor. Pelo menos até o fim do ano, de preferência com um troféu.

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