Carpegiani cai, mas São Paulo ainda aposta na base
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quinta-feira, 07 de julho de 2011
Rafael Reis <br> Folhapress 
São Paulo - Cerca de dois meses depois de quase demitir Paulo César Carpegiani, o São Paulo se despediu do técnico ontem e já deu a dica do que espera de seu novo treinador. ''Ele nos deixa o legado em relação ao trabalho com os jogadores da base'', disse o vice-presidente de futebol João Paulo de Jesus Lopes.
Foi por cumprir a determinação do presidente Juvenal Juvêncio e transformar o CT de Cotia, onde treinam os jovens do time, em um fornecedor para a equipe profissional que Carpegiani conseguiu durar dez meses e 46 partidas como treinador.
Tirado do Atlético-PR em outubro, o técnico falhou em todas as competições que disputou. Ficou sem vaga na Libertadores deste ano, caiu nas semifinais do Paulista e teve uma eliminação traumática na Copa do Brasil.
A despedida no torneio nacional, com derrota por 3 a 1 para o Avaí, no dia 11 de maio, deixou claro que o treinador não teria vida longa no clube do Morumbi.
O meia Rivaldo, 39, reserva e aliado do goleiro Rogério, principal líder do time, foi à imprensa reclamar do treinador. Um dirigente do clube trabalhou por sua demissão e contou para os jornalistas que o técnico seria substituído naquela ocasião.
Mas, amparado pela ausência de bons nomes livres no mercado e em reconhecimento ao sucesso na consolidação dos jovens Lucas e Casemiro entre os titulares, Carpegiani acabou ficando.
Emendou uma sequência de cinco vitórias no início do Brasileiro. Mas sucumbiu às limitações de um elenco que ficou inexperiente e pequeno com a saída de veteranos, como Alex Silva, Miranda, Cléber Santana e Fernandão.
Levou 5 a 0 do Corinthians e perdeu mais dois jogos seguidos. Após a derrota por 1 a 0 para o Flamengo, no Rio, quarta-feira, não resistiu.
Carpegiani, o quarto técnico do São Paulo após a vitoriosa passagem de Muricy Ramalho, foi comunicado da demissão em reunião no começo da tarde de ontem com Jesus Lopes e o diretor de futebol Adalberto Baptista.
Recebeu cerca de R$ 700 mil, o equivalente a dois salários seus, como indenização pela saída. O São Paulo diz que o valor desembolsado se deve a encargos trabalhistas, e não à multa rescisória de um contrato que ia até o fim do ano.
Segundo o vice de futebol, o anúncio do novo técnico deve acontecer ''em questão de dias, não de horas''. O São Paulo deseja alguém como Carpegiani, que trabalhe com jovens. Mas que traga resultados. ''Vamos procurar quem tenha esse perfil'', afirmou Jesus Lopes.
Amanhã, contra o Cruzeiro, o time será dirigido interinamente pelo auxiliar Milton Cruz, o mesmo que ''tapou o buraco'' depois das demissões de Muricy Ramalho e Ricardo Gomes.


