Carol Solberg é denunciada ao STJD por protesto contra Bolsonaro


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) apresentou nesta segunda-feira (28) uma denúncia contra a jogadora de vôlei de praia Carol Solberg, que protestou contra o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) há uma semana, durante transmissão ao vivo do SporTV.

Em entrevista após a etapa da modalidade em Saquarema (RJ), no domingo (20), ela gritou: "só para não esquecer: fora, Bolsonaro!".



O ato gerou uma nota de repúdio da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) no mesmo dia. A entidade afirmou que "tomará todas as medidas cabíveis para que fatos como esses, que denigrem a imagem do esporte, não voltem mais a ser praticados".

A denúncia da procuradoria se baseia em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): o 191 --deixar de cumprir o regulamento da competição-- e o 258 --assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras do código.

Pelo primeiro, a punição varia de R$ 100 a R$ 100 mil. Pelo segundo, suspensão de uma a seis partidas.

A súmula do jogo não citou a fala. Segundo o blog do jornalista Juca Kfouri no UOL, um trecho da denúncia apresentada pelo procurador do STJD Wagner Vieira Dantas afirma incorretamente que o torneio teve a presença de público.

"Tal manifestação deu-se (a) na arena de jogo, (b) com a utilização do microfone da estrutura paga por

patrocinadores do evento, (c) utilizando a mídia como instrumento de divulgação de sua opinião, e (d) perante o público que compareceu especificamente para assistir a uma partida de voleibol, e não para assistir a uma manifestação política de uma atleta, que acabou por externar um sentimento pessoal de valor sem que ninguém sequer lhe houvesse perguntado", relata o documento.

Procurada, Carol Solberg afirmou que até o começo da noite desta segunda-feira não havia sido intimada. Em entrevista à Folha na última segunda (21), ela disse considerar lamentável sofrer com qualquer ameaça de punição em consequência da sua liberdade de expressão.



"Não sou ativista, mas me sinto na obrigação de me posicionar e é lamentável e curioso que eu possa ser punida por exercer a minha liberdade de expressão contra esse desgoverno", afirmou. "Não tenho a menor ideia do que vai acontecer, mas a reação da CBV no meu caso foi bem diferente do ocorrido com o Wallace. Isso mostra alguma coisa."

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