Londrina - O Cazaquistão caiu na boca do povo em 2006, com o lançamento do filme Borat. A história de um jornalista cazaque trapalhão, que partiu para os Estados Unidos para rodar um documentário, foi indicada ao Oscar e deixou a ex-república soviética um pouco mais conhecida. E e lá, nesta terra gelada, que um londrinense tenta vencer no futebol. O volante Douglas Ferreira, 23 anos, nascido em Londrina e criado em Ibiporã, ajudou o Kazakmys a chegar à Primeira Divisão do Cazaquistão.
O time do brasileiro foi campeão da Segundona cazaque este ano, entretanto, o jogador dever vestir outra camisa em 2009. Ele deve rumar para Dubai, nos Emirados Árabes, reencontrar o técnico Duílio, aquele mesmo zagueiro que jogou no Coritiba e foi campeão brasileiro pelo Fluminense, em 1984. Foi Duílio quem levou o jogador para o Kasakmys também, em 2006, e agora quer levá-lo para o Oriente Médio.
Mas a história de Douglas no Cazaquistão começou antes e teve o dedo de um pentacampeão mundial. O apoiador ibiporaense Kléberson, do Flamengo, na época no Besiktas, bancou a passagem do amigo para a Turquia. Lá, o cazaque Atrya fazia pré-temporada, se interessou pelo volante e o contratou. Foram seis meses no clube até que Duílio o levou para o Kazakmys. ''É em primeiro Deus e em segundo o Kléberson'', confessou Douglas.
Pela primeira vez fora do Brasil, o volante sofreu com a adaptação à língua, ao frio e à cultura do Cazaquistão. ''Foi um ano e meio complicado, mas eu tinha muita força de vontade. A noite eu pegava os libros e estudava o idioma. Fui aprendendo no dia-a-dia, sozinho'', contou o jogador, enquanto entregava uma camisa ao seu primeiro técnico, Jaciro Soares, 58 anos, nas arquibancadas do Estádio José Santos, em Ibiporã. E foi essa dedicação que o ajudou dentro do clube. ''O presidente viu que me dediquei e peguei bastante afinidade com ele. Já me fez proposta até para treinar os times da base quando encerrar a carreira, mas isso ainda está muito longe''.
Fez parte da adaptação a inclusão de pratos exóticos em seu cardápio, como, por exemplo, carne de cachorro. ''Fui a um banquete e me mandaram comer, dizendo que era gostoso, mas não me disseram que era de cachorro. Comi e pedi mais até. Só depois que foram me falar que era cachorro. Hoje como sem peso na consciência'', contou.
No Cazaqusitão, Douglas também aprendeu a tomar chá com leite. ''É uma delícia'', disse. ''Eles falam que tomando o chá, limpa tudo''.
O principal problema, porém, foi o frio. ''De abril a outubro faz calor e rola o campeonato. Depois, a temperatura cai bem. Cheguei a pegar 40 graus negativos. A gente torce para cair neve, porque daí 'esquenta''', revelou.
Na campanha do título da Segundona, Douglas fez 13 gols e já pensa em uma possível naturalização para poder defender a seleção local, uma compensação para quem abriu mão até da namorada para realziar o sonho de jogar futebol. ''Ela não aceitou que eu fui para lá. Mas minha primeira paixão é a bola'', confessou.

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