Agência Estado
de São Paulo
Uma entorse no tornozelo direito do atacante França, que obrigou o técnico Paulo César Carpegiani a mexer radicalmente no São Paulo para o segundo jogo diante da Ponte Preta, domingo, em Campinas, pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro, acabou causando um outro problema para o treinador: tolerar o descontentamento do meia Carlos Miguel, irritado por ter de ficar na reserva.
Ontem pela manhã, o jogador não escondeu a irritação com a possibilidade de ficar fora do time no playoff decisivo da competição. ‘‘Fui titular durante todo o campeonato, muitas vezes atuando de forma improvisada e, na fase final, vou para o banco’’, lamentou o meia.
‘‘Estou frustrado.’’ Apesar de garantir que vai respeitar a decisão de Carpegiani, Miguel chegou até a criticar o trabalho do chefe, acostumado a tantas experiências táticas.
‘‘Os treinamentos, agora, só servem para manter a forma física’’, disse o jogador. ‘‘Em um playoff final, o técnico já conhece seus jogadores, sabe com quem pode contar e não precisa mais ficar fazendo testes.’’ À tarde, Miguel chegou atrasado ao treino e permaneceu na equipe reserva.
Carpegiani, que já havia afastado o zagueiro Márcio Santos por não ter aceitado ficar no banco, preferiu apenas elogiar o novo titular, Souza, um dos destaques do Tricolor na vitória por 3 a 2 sobre a Ponte Preta, no Morumbi.
No coletivo, o técnico avançou Raí para o ataque, no lugar de França, e escalou Souza para armar as jogadas ofensivas. Na defesa, escalou Paulão ao lado de Márcio Santos, que substituiu Nem, com febre, amidalite e dores no joelho esquerdo. Se a mudança confundiu torcedores e jornalistas, serviu também para irritar ainda mais Carlos Miguel.
O São Paulo poderá entrar hoje com uma ação na Justiça comum, em foro federal, para recuperar os pontos perdidos para o Botafogo-RJ no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD). Já o Sindicato das Associações de Futebol Profissional do Estado de São Paulo (Sindbol), que representou o clube numa ação parecida, na semana passada, rejeitada pelo 9ª Vara Cível da Justiça Federal, cogita a possibilidade de recorrer ao Tribunal Regional Federal (TRF).

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