Josoé de CarvalhoDesafio à frenteCarlos Alberto, ontem: ‘Se fosse por dinheiro, teria ido embora’O Londrina decidiu ontem reintegrar o quarto-zagueiro Carlos Alberto, que havia sido dispensado na segunda-feira, um dia depois da vitória do time diante do Paysandu (2 a 1), no primeiro confronto entre ambos pela terceira fase da Série B do Campeonato Brasileiro. No entanto, a diretoria resolveu multá-lo em 50% sobre o salário de novembro. Na madrugada de segunda-feira, Carlos Alberto agrediu o meia Beto no hotel em que os dois residem. Os motivos da briga até hoje não foram esclarecidos.
Às 16 horas de segunda-feira, os dirigentes do Londrina - Célio Guergoletto, Antonio Amaral e Dorival Pagani - convocaram uma entrevista coletiva para anunciar a punição. Às 18h30, o zagueiro Ivanildo, que retomou a tarja de capitão antes entregue a Carlos Alberto, chamou o coordenador-geral do clube, Célio Guergoletto, para falar em nome do grupo e reivindicar a permanência do companheiro. O técnico Varlei de Carvalho também apoiou a manifestação.
Guergoletto solicitou três dias de prazo para repensar a medida tomada anteriormente. Além do apelo feito pelos demais jogadores, inclusive Beto, que aceitou o pedido de desculpas de Carlos Alberto, Guergoletto disse ontem à tarde, na sede do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, que levou em conta as atuais circunstâncias do time. ‘‘Ninguém é dono do Londrina, muito menos eu. Democraticamente, me curvei à opinião dos jogadores e até do Varlei. Outra coisa: a hora é de somar o máximo de forças, nunca de dividir num instante em que temos apenas duas chances de conquistar a vaga’’, comentou Guergoletto, referindo-se à necessidade de duas vitórias sobre o Botafogo-SP (domingo) e Joinville (quinta-feira). Serão colocados ônibus de graça para os torcedores que forem a Santa Catarina.
Guergoletto só divulgou a revisão do caso depois de um demorado encontro entre ele e mais três colegas de diretoria: Agostinho Garrote, Dorival Pagani e Antonio Amaral. Desde o início do episódio, Garrote insistiu na tese da reintegração. O voto dele teve um peso muito forte.
Pagani, que igualmente intermediou a ‘saída honrosa’, usou um argumento que iria balançar a aparente frieza de Guergoletto. ‘‘Ninguém chora sem mais nem menos. Eu vi. Aconteceu na minha frente...’’, declarou Pagani, ao falar de uma conversa reservada entre ele e Carlos Alberto. As lágrimas de Carlos Alberto, que assumia o arrependimento, emocionaram Pagani.
O desfecho aliviou o semblante de Carlos Alberto, que jura ter vivido alguns dias ‘terríveis’. ‘‘Nunca senti tanta tristeza na minha vida. Em 17 anos de carreira, sempre me apontaram como exemplo de profissional correto e não seria agora que eu iria manchar o meu passado. Errei, sim, mas espero que os torcedores do Londrina saibam que aprendi a amar essa camisa. Não sou de fugir da luta’’, garantiu o zagueiro, que até recusou uma proposta do futebol mexicano, oficializada anteontem à noite. ‘‘Se fosse pelo dinheiro, eu teria ido embora. Só que eu carrego um desafio e vou até o fim. Eu não poderia sair desse jeito’’, concluiu Carlos Alberto, que deve retornar ao time contra o Botafogo de Ribeirão Preto, na segunda-feira, às 20h30, no Estádio do Café.
O clube nega que Carlos Alberto pegou dois jogos de suspensão no Tribunal da CBF e que, por isso, não teria enfrentado o Paysandu. Segundo Antonio Amaral, o julgamento do atleta - expulso em Ribeirão Preto - ainda não entrou na pauta.
Ivanildo, contundido no joelho, é dúvida. A delegação desembarcou no começo da noite de ontem, procedente de Belém do Pará. Hoje, haverá um coletivo.

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