Carlinhos tenta ressuscitar mística da camisa rubro-negra
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Renato Lameiro 
Rio, 24 (AE) - Após quatro anos afastado do Flamengo, o técnico Carlinhos retornou ao clube para tentar ressuscitar a mística da camisa rubro-negra. "Conheço o clube e sua tradição como a palma da minha mão", analisou o treinador, que começou sua carreira no futebol do Flamengo aos 14 anos. Carlinhos acha o time de hoje muito bom, semelhante ao campeão brasileiro de 1992, mas admite ter que dar seu toque pessoal, principalmente na parte tática, para que haja novas conquistas. "Vou avaliar o grupo para saber qual a melhor tática que se adapta", disse.
Vizinho do clube na Gávea, bairro da zona sul carioca, Carlinhos jogou em todas as categorias do futebol rubro-negro, atingindo seu ápice no início da década de 60, quando atuou no meio-de-campo ao lado de Nélson Rosa, sendo campeão estadual nos anos de 1963 e 1965. Carlinhos era conhecido por todos como "Violino", por causa do seu porte esguio e estilo requintado no toque de bola.
Desde então não deixou mais o Flamengo. Passou a ser técnico das divisões de base do clube, onde revelou jogadores como Paulo Nunes, Júnior Baiano, Djalminha, Marcelinho, Piá e outros. Em 1987, teve sua primeira oportunidade para dirigir o time principal, durante a Copa União. Comandando um elenco de estrelas, como Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo, Andrade, Zico, Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho, o técnico chegou desacreditado por ser desconhecido e pelo seu jeito manso de falar. Todos achavam que ele não teria pulso para dirigir tantos craques. Foi campeão brasileiro disputando com o Internacional as finais.
Voltou a treinar o Flamengo em 91, quando ganhou o Campeonato Estadual. No ano seguinte, durante o Campeonato Brasileiro, o Flamengo andou claudicante, sempre amargando as últimas posições na fase classificatória. Nas últimas rodadas conseguiu recuperar-se e ganhar uma vaga nas finais. "Aquele time não tinha tantos craques, mas tinha uma raça de dar gosto", lembrou o técnico, envaidecido. Em 1994, Carlinhos teve sua única passagem sem conquistas pelo Flamengo. Em 1996, deixou a Gávea e foi tentar carreira no Guarani e depois no Remo, do Pará.
Para Carlinhos, o futebol mudou muito nos últimos anos. "Hoje em dia, jogadores como o Valdo, com 30 anos ou mais, estão reaparecendo e se destacando", observou. Sobre a atual equipe do Flamengo, Carlinhos acha difícil aproveitar jogadores das divisões de baixo, fugindo às suas características. "O elenco está cheio, com 31 jogadores, e ficará difícil o aproveitamento", revelou.


