O atacante Carlão, que pediu dispensa da seleção brasileira por causa de uma hérnia de disco torácica, está com medo de ter sequelas para a vida toda e, por causa das fortes dores nas costas e pescoço, decidiu evitar uma triste despedida das quadras. ‘‘É humilhante para um atleta ter um treco e sair de quadra de maca’’, disse o jogador, recordando-se de duas cenas tristes de Ronaldinho, na final da Copa do Mundo de 98 e na decisão da Copa da Itália, com a camisa da Inter de Milão.
Se as dores persistirem, ele terá de abandonar a carreira. ‘‘Cheguei ao meu limite; todos têm um e eu sou normal, de carne e osso’’, declarou Carlão. ‘‘Chorei muito porque a seleção é o meu time do coração, mas preciso me preocupar com o meu bem-estar físico e a saúde.’’
Carlão desembarcou ontem no Rio, vindo de Roterdã, na Holanda, ainda emocionado pelo fato de ter abdicado de disputar pela quarta vez uma Olimpíada. A equipe brasileira permanece na Holanda e estréia na fase final da Liga Mundial na segunda-feira, às 15h30 de Brasília, contra os holandeses.
De acordo com ele, a dor, semelhante a uma ‘‘queimação nas costas’’, voltou esta semana, depois do jogo contra os Estados Unidos, em Fort Wayne. Carlão chegou a conversar com Lattari antes dos cortes, mas o treinador voltou a pedir paciência. ‘‘Não quero ter de operar, porque dois especialistas me contaram que, em 90% dos casos, a cirurgia não dá certo’’, declarou, para, em seguida, justificar tanto medo. ‘‘Eu não conseguia ficar sentado por 10 minutos.’’

mockup