Cariocas mostram "competência" nos bastidores
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Sílvio Barsetti 
Rio, 04 (AE) - É inquestionável a competência dos clubes cariocas na Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) e no próprio TJD. Eles não cometem erros, estão sempre bem informados sobre a situação de atletas com problemas de documentação e, por vezes, conseguem a complacência dos auditores para se verem livres de punições determinadas pelo Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF).
O Vasco, por exemplo, não perdeu o ponto do empate com o Paraná, dia 19 de setembro, depois que a partida foi interrompida por causa da invasão do campo de São Januário por seu vice-presidente de Futebol, Eurico Miranda.
A punição consta do artigo 299 do CBDF, mas acabou ignorada pelos auditores. O Vasco perdeu o mando de campo, mas pôde jogar com o São Paulo, na rodada seguinte, no Maracanã. Uma semana depois, o Corinthians foi obrigado a deixar o Estado para cumprir a pena de perda de mando de campo por causa de distúrbios na partida contra o Vasco, no Pacaembu. O Alvinegro jogou duas vezes no Maracanã, onde acumulou prejuízos.
O Departamento de Registro da CBF é uma "caixa-preta" de fácil acesso para os cartolas cariocas. O Fluminense via-se ameaçado de não obter a classificação à segunda fase da Série C e logo veio à tona a escalação irregular do jogador Tupã, do Anapolina, que vencera suas duas partidas contra o Tricolor. O caso foi levado à Comissão Disciplinar e ao TJD e o Fluminense conseguiu mais três pontos - a ação referia-se a apenas um jogo.
O Fluminense, inclusive, teve um advogado de peso: o presidente da Federação de Futebol do Rio, Eduardo Viana, torcedor confesso do Americano. Eduardo queria evitar que seu clube enfrentasse o Fluminense, como previa a primeira tabela da segunda fase. Para isso, o Anapolina tinha de ser derrotado no tribunal. Foi que aconteceu.
O Paraná entrou com recurso para obter os pontos do Vasco, mas incorreu num erro de petição. O Guarani e o Botafogo-SP tiveram seus recursos indeferidos pelo TJD para tentar conseguir os pontos de seus jogos com o São Paulo por causa da escalação de Sandro Hiroshi. O Guarani, por ter entrado fora do prazo. O Botafogo-SP, por não ter pago uma taxa devida. Na avaliação do TJD, o São Paulo errou em sua defesa no recurso do Botafogo-RJ por ter levado em consideração documento da CBF.


