Caravana entra em território africano
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quinta-feira, 04 de janeiro de 2001
Agência Estado De Castellón, Espanha 
Após a etapa de ontem, quando deixaria a Europa, a caravana do Rali Paris-Dakar seguiu para a cidade de Almería, extremo sul, para ser embarcada em uma balsa para a travessia do Mediterrâneo em direção ao Marrocos. A partir de agora, o cenário do rali muda: a primeira especial em território africano será entre Nador e Er Rachidia, com 139 quilômetros cronometrados, de um total de 602.
Além da paisagem diferente, o rali terá de enfrentar as ameaças do grupo Frente Polisário, que luta pela independência do Saara Ocidental. Hoje, guerrilheiros já mostraram um pouco de sua disposição: protagonizaram incidentes, de manhã, em Castellón. Manifestantes bloquearam, à força, a entrada das instalações da praia local de Pinar, atrasando o início da prova cronometrada em quase meia hora. Durante o tumulto, um fotógrafo francês ficou ferido, mas sem gravidade.
Um porta-voz da Frente, Santiago Doñate, acusou o Marrocos de utilizar-se de acontecimentos esportivos, como o rali, para legitimar a ocupação no Saara Ocidental. Durante o bloqueio, controlado por membros das forças de ordem pública, foram vividos momentos de tensão, com troca de socos e empurrões. Mesmo reprimidos, os manifestantes ficaram no local da largada com faixas e megafones.
O delegado da Frente Polisário em Valência, Mohamed Alí Salem, reiterou que poderá romper o cessar-fogo que vigora há nove anos caso a comitiva do rali passe pelo território reivindicado. O Marrocos não pode autorizar a passagem por esta região, avisou.
Brasileiros vão bem A etapa de ontem do Rali Paris-Dakar rendeu bons resultados para os brasileiros e algumas confusões. O trecho especial (cronometrado) das motos foi cancelado por causa de um impasse financeiro entre a organização do rali e a Federação Espanhola de Motociclismo, que precisa dar seu aval para a realização da competição em território nacional. Por conta disto, apenas os resultados dos carros e dos caminhões foram computados.
Do percurso total de 445 quilômetros, somente cinco foram cronometrados, nas areias de Castellón, região costeira ao norte da Espanha. Entre os carros, Klever Kolberg e Bruno Catarelli terminaram em 12º lugar na classificação geral e primeiro na categoria T2. Cacá Clauset e Jorge Nieckele ficaram em 65º na geral e 12º na categoria T3. E Reinaldo Varela e Alberto Fadigatti estão em sétimo, também na T3. André Azevedo conseguiu o primeiro lugar na especial com seu caminhão Tatra e agora ocupa a quarta colocação em sua categoria (T4-4.3).
Na última etapa européia, o francês Jean-Pierre Fontenay foi o mais rápido, seguido pelo japonês Hiroshi Masuoka, novo líder nos carros. Apesar dos poucos quilômetros cronometrados, o trecho causou desgosto a alguns participantes. Kenjiro Shinozuka, vencedor da edição de 1997, atolou na areia e acabou perdendo quatro minutos em relação ao primeiro colocado. Shinozuka caiu para a 37ª posição na geral.


