Há dois anos, o carateca Vinícius Figueira (OFF/Toyopar) deixou o trabalho para se dedicar exclusivamente ao caratê, tudo pelo sonho de disputar o Campeonato Mundial da Alemanha, o maior da modalidade, organizado pela WKF (Federação Mundial de Karatê). Desde então, nada lhe tomou mais tempo que o esporte. Sua vida resumiu-se a treinos e competições. E no início desta semana, Figueira teve a certeza de que havia tomado a decisão certa ao receber a convocação oficial da Confederação Brasileira de Karatê (CBK).
Para escolher os representantes brasileiros no mundial alemão, que será realizado em Bremem, de 5 a 9 de novembro, a entidade máxima do caratê nacional criou um ranking específico, que valeria de janeiro a julho. O líder de cada categoria seria convocado automaticamente. Foi o que aconteceu com Figueira, que fechou o mês passado na ponta da lista da categoria até 67 kg, com 516 pontos, mais que o quádruplo do alcançado pelo segundo colocado.
O carateca de 23 anos está em êxtase. "É um sonho muito grande, uma recompensa por um trabalho de anos", ressalta. E se engana quem imagina que ele está satisfeito apenas em participar. Em plena evolução técnica, o londrinense mira um lugar no pódio. "A meta principal agora é ser medalhista. Um ano atrás eu queria somente ir, mas hoje vejo que tenho condições de brigar por uma medalha", almeja.
A aposta para se dar bem é reforçada pelas últimas experiências que ele teve em nível internacional. Somente em 2014, o lutador, que integra o grupo da seleção brasileira desde o ano passado, já foi a Paris e Turquia treinar com os integrantes das seleções desses países, e participou de vários torneios no exterior, o último no México, o Festival Olímpico, há duas semanas, no qual foi vice-campeão. "Foi bastante importante para os outros me conhecerem. No Mundial Universitário (em junho, em Montenegro), vi que o respeito dos adversários comigo já era maior", observa o atual campeão brasileiro e vice no Mundial Universitário.
E o que já era puxado, promete ficar ainda mais nos próximos dias. "Agora é intensificar mais. Vou ter mais dois campeonatos para lutar ainda até lá e quero usar para treinar", diz ele, citando os Abertos da Turquia e Alemanha, em setembro.
Técnico do carateca desde que ele começou a lutar, aos 11 anos, Marcelo Oguido acredita que as chances de medalha são reais. "Todo o planejamento que a gente vem traçando há dois anos é com esse objetivo. É um menino que merece, pelo comprometimento. Ele está em evolução e tem uma cabeça muito boa para conquistar tudo isso", ressalta.
Além de Vinícius Figueira, outros dois paranaenses integram a seleção que vai ao mundial: Rogério Emerick, de Araucária, titular na categoria até 84 kg, e Gilmarcos Bastos Júnior, de Curitiba, que vai como reserva.

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