Capoeiristas americanos ajudam projeto social
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sábado, 19 de agosto de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Dois alunos graduados do Grupo de Capoeira Maculelê, que se formaram em núcleos criados nos Estados Unidos, estão fazendo intercâmbio no Brasil e aproveitaram para visitar a sede da academia em Londrina. Jacob ''Juba'' Ensign e Harrison ''Tesoura'' Schultz, os dois com 23 anos, coordenam grupos de alunos que treinam em universidades norte-americanas e integram lá uma fundação (Maculelê Arts Foundation) que começará este mês a destinar recursos ao Brasil para o trabalho com crianças carentes da periferia de Londrina.
Os repasses mensais, segundo a coordenadora da Maculelê em Londrina, Sara Janene, serão de aproximadamente R$ 1 mil, para que três professores possam receber ao menos R$ 300 para dar aulas gratuitas em três pólos da cidade: nos Jardins União da Vitória e Franciscato (Zona Sul) e na Guarda Mirim. ''Durante muito tempo tocamos esse projeto social com crianças da região sul, mas ele estava paralisado há quatro anos por falta de recursos. Agora será retomado'', comemorou a coordenadora.
Ensign, que é capoeirista há quatro anos e estuda Ciências Políticas e Matemática na Emory University, em Atlanta, na Geórgia, informou que os 15 alunos que treinam capoeira com ele na universidade irão separar todo mês uma parte da mensalidade para destinar ao projeto londrinense. O mesmo acontecerá com Schultz, que começou a ''jogar capoeira'' há cinco anos em Milwalkee, Estado de Wisconsin, e hoje treina na New School University, em Nova York é estudante de pós-graduação em Sociologia.
Segundo Schultz, a capoeira nos Estados Unidos é praticada até mais por brancos do que por negros e se disseminou por todas as classes sociais. ''A diferença é que lá é praticada mais como esporte e descontração, enquanto aqui é mais cultura, arte marcial e tem uma forte identificação social'', comparou.
Os dois são alunos do mestre Fran (Francisco Rodrigues), que fundou, há 26 anos, o Grupo Maculelê em Londrina, e está há quatro anos em Atlanta expandindo a capoeira pela Terra do Tio Sam. Aos poucos foi formando instrutores e graduados que hoje coordenam quatro academias no País em Atlanta, Milwalkee, Tampa (Flórida) e San Diego (Califórnia).
Encontro A intenção de Fran é que a partir de 2007 a fundação norte-americana passe a patrocinar dez instrutores de Londrina para trabalharem na periferia. ''Encaminharemos isso depois do 2º Encontro Internacional da Maculelê, que realizaremos aqui em novembro e que receberá pelo menos 40 alunos que estão nos Estados Unidos e na Europa'', informou Sara.
De acordo com ela, quatro graduados que hoje dão aulas no exterior passaram pelo projeto social da Maculelê em Londrina. ''Eles não teriam muitas oportunidades na vida e foram resgatados graças à capoeira'', disse Sara. São eles os professores Marcinho (que está em Atlanta), Cascão (na Inglaterra), Carlinhos (na Áustria) e o instrutor Skank (em Portugal).


