Capitão do tri está salvando o Paysandu
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quinta-feira, 20 de outubro de 2005
Agência Estado 
São Paulo - Apenas três jogos como técnico do Paysandu e três vitórias, todas de virada. Carlos Alberto Torres chegou a Belém com a incumbência de livrar o clube do rebaixamento. A situação não era nada fácil. Em sua estréia, em 11 de outubro, contra o Coritiba, em casa, ocupava a 21 colocação e estava sem reação. Menos de 24 horas depois de assumir, porém, o treinador reergueu o moral dos jogadores e obteve a primeira vitória.
De lá pra cá, em apenas dez dias de trabalho, tirou o time paraense da zona do descenso, superou também Fortaleza e Cruzeiro, e acredita que ainda poderá subir na classificação. Por telefone, do Aeroporto de Belém, onde a delegação embarcou para Belo Horizonte enfrenta o Cruzeiro, amanhã , ele falou à Agência Estado.
Agência Estado: Qual a estratégia para a reação do Paysandu?
Carlos Alberto Torres: Não existe estratégia nenhuma. É só falar a linguagem do jogador. Tenho a minha maneira de motivar o grupo. Cheguei e falei que tínhamos 13 jogos pela frente e que jogaríamos para vencer todos. Além disso, o campeonato tem apenas umas três ou quatro equipes acima da média (Corinthians, Inter e Fluminense). Conversamos bastante com o grupo para elevar o moral dos jogadores.
AE: Com quantos pontos o Paysandu se livra do descenso?
Torres: Eu trabalho com a realidade. Essa história de pontos não é comigo, não. Tem de ganhar todos os jogos e pronto. Nem sempre isso é possível. Quando cheguei, disse que tínhamos 13 jogos e que precisávamos vencer pelo menos oito. Já chegamos quase na metade. Vamos trabalhar para ganhar todos.
AE: Em quais outros clubes você chegou para salvar do rebaixamento?
Torres: Há três anos, fui para o Flamengo e ele se livrou. Também trabalhei no Botafogo, em 1997, e ele escapou. Às vezes, não dá para fazer nada, depende muito do tempo de trabalho, e no Paysandu eu tenho tempo.
AE: Como vê a situação de Vasco e Flamengo lutando para não cair?
Torres: É o resultado de má preparação. O Fluminense é a exceção. Tem planejamento. Os outros não têm nada. O Botafogo, também. Teve um começo bom, mas agora está muito mal (não vence há oito jogos) e pode brigar para não cair. Logo, logo o Paysandu o ultrapassa.
AE: Qual a sua opinião sobre o escândalo do apito?
Torres: Acho que deveria se tomar uma medida mais dura. Esse Edílson Pereira de Carvalho aí fica agora dando entrevista, cobrando cachê, tendo benefícios. A gente que trabalha no futebol lamenta. É uma pouca vergonha isso tudo, mas quero deixar claro que é apenas uma minoria que faz isso. Se essa história do Héber Roberto Lopes ficar provada, não sei, não, onde o campeonato pode parar.
AE: E a sua experiência como técnico do Azerbaijão?
Torres: Fiquei lá quase dois anos. Foi muito positivo para minha carreira. Aprendi muito, principalmente com a organização dos europeus. Nem se compara com a do Brasil.


