Capital do voleibol
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sexta-feira, 07 de julho de 2017
Rafael Fantin<br>Reportagem local 

Curitiba - Quando o árbitro Rodrigo Batista Raposo apita o final da partida entre Atlético Paranaense e Vitória, no domingo, último dia 25, que terminou em 4 a 1 para o dono da casa, começa um novo jogo sendo que o principal adversário é o relógio. Enquanto os jogadores deixam o gramado da Arena da Baixada, um time de operários entra em campo para transformar o estádio do Furacão na Arena do Vôlei no prazo de oito dias para receber a seleção brasileira, além de outras cinco equipes, na fase final da Liga Mundial.
O elenco é formado, em média, por 125 trabalhadores por dia, que começam o serviço com a proteção do gramado artificial. O piso da nova quadra fica apenas 30 cm acima da grama. Além de técnico, o time de operários também precisa ser forte para manusear com perícia cerca 1.000 toneladas de materiais, a maior parte formada por estruturas metálicas para a arquibancada, que deixa a torcida ainda mais próxima dos ídolos do voleibol nacional.
Na última segunda-feira (3), véspera da primeira partida da Liga Mundial, a equipe ainda recebe reforços e chega a trabalhar na Arena da Baixada com até 525 operários para acertar os detalhes finais do local para a estreia da seleção brasileira contra o Canadá na terça-feira (4). Missão cumprida: o Brasil entra em quadra, a bola sobe e cerca de 10 mil torcedores acompanham os dois jogos no primeiro dia.
O técnico do time de operários, o arquiteto Luiz Volpato, diretor de projetos do Atlético Paranaense, disse que a transformação do local só é possível por causa da versatilidade da arena multiuso, que também já recebeu eventos musicais e uma noite de lutas do UFC. "Entre montagem, os jogos da Liga Mundial e desmontagem são 16 dias. Algumas características da Arena da Baixada tornam esse projeto viável. Por exemplo, a grama natural não resistiria a duas semanas de trabalhos. Outro benefício é o teto retrátil que permite a atuação dos operários independente do clima", explicou Volpato.
Após a final da Liga Mundial, que deve terminar entre a noite deste sábado (8) e madrugada de domingo (9), os operários retornam, agora, para a quadra. A Arena da Baixada precisa voltar a ser a casa do Atlético Paranaense até terça-feira (11). No dia seguinte, o Furacão enfrenta o Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro.
O diretor executivo da CBV (Confederação Brasileira de Brasileira), Radamés Lattari, lembrou que o interesse em mandar os jogos da Liga Mundial em Curitiba surgiu após o amistoso contra Portugal na Arena da Baixada. O "Desafio de Ouro" ocorreu depois do título olímpico da seleção brasileira na Rio-2016. "Estamos acompanhando um aumento progressivo na procura pelos ingressos, que dependem do desempenho da seleção. Se o Brasil chegar até a final, esperamos mais de 25 mil torcedores na arena, que passou uma transformação espetacular", comentou.
Questionado pela FOLHA sobre a realização da Liga Mundial em Curitiba, o técnico da seleção brasileira, Renan Dal Zotto, afirmou que a presença do time nacional em outros locais, fora do eixo Rio-São Paulo, é uma tendência. "É sempre muito bom levar o voleibol para todos os cantos do Brasil. É muito prazeroso esse contato com a torcida em diversos lugares", ressaltou.
Já o levantador e capitão do time, Bruninho, comentou que os jogadores passam por um processo de adaptação nos primeiros jogos, principalmente no saque, fundamento que depende de referências do espaço físico. "Mas, a experiência está sendo bacana, principalmente pela grande torcida. Cerca de 15 mil torcedores é bem difícil achar um ginásio com essa capacidade no Brasil. Existem algumas dificuldades, como a luz do dia e o frio, mas temos que tirar algo positivo dessa oportunidade, que é jogar junto com a torcida".



