CAPITAL DO SKATE
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de novembro de 2000
André Baró De Curitiba 
Berço de importantes nomes do skate, como Ferrugem, Piolho e Daniel Vieira, a capital paranaense vem se firmando com um verdadeiro celeiro de campeões. Não é para menos. Ao longo dos anos, vários títulos nacionais e mundiais vieram parar em mãos curitibanas. Nesta temporada, Daniel e Ferrugem disputam isolados a liderança do Circuito Profissional Brasileiro, na modalidade Street Style. Piolho (Carlos de Andrade) está em primeiro lugar no ranking do Circuito Mundial na mesma categoria a última etapa está marcada para novembro e será realizada no Parque Ibirapuera, São Paulo. O apoio da torcida em casa será fundamental para Piolho sagrar-se campeão mundial.
Desde 94, com a primeira conquista de Ferrugem, como campeão brasileiro de Street Style, o esporte vem se organizando e se estruturando. O surgimento de empresas especializadas no segmento consolidou o skate profissional no País. Em Curitiba, criou-se o principal circuito de skate amador: o Drop Dead Skate Park. São realizadas várias etapas por ano, atraindo skatistas de diversos estados brasileiros afinal, só neste ano, somaram-se cerca de R$ 22 mil em prêmios. Nesta temporada, nas quatro etapas realizadas, contabilizamos 700 atletas inscritos vindos de 80 municípios de 12 estados, representando o que há melhor no País. A cada ano novos talentos são revelados e, com o apoio de patrocinadores, partem para campeonatos internacionais, explica Edson Scander, um dos organizadores do Drop Dead Skate Park.
Um gole de história A idéia de surfar em terra firme deu origem ao skate. No início dos anos 60, na Califórnia, os surfistas, desanimados com os períodos de ondas fracas, resolveram experimentar rodas de patins em shapes uma tábua e quatro rodinhas. Com o passar do tempo, passou a ser comercializado, ganhou rodas de uretano e trackers truck (eixos de metal que dão dirigibilidade ao skate). O novo esporte acabou se tornando o fenômeno da época, cresceu e se espalhou pelo mundo.
O primeiro Campeonato Internacional de Skate aconteceu em 1965, no estádio de La Palma, em Anaheim, na Califórnia. Seis meses antes deste campeonato, surgia a revista Skateboarder. Em meados dos anos 70, essa revista, que era uma das mais importantes sobre o assunto, passou a cobrir competições de Bikers. Neste período o esporte enfraqueceu, várias pistas fecharam e muitos garotos abandonaram o skate. Em decorrência deste fatos, os skatistas passaram a praticá-lo nas ruas, usando tudo que achavam como obstáculo nascia a modalidade street. Foi na década de 70 que o esporte reforçou o seu estilo, incorporando novos movimentos e truques.
Nos anos 80, o skate volta com tudo. As organizações tais como: MESS (Mid Eastern Skateboard Series), MARS (Midwest Amateur Ramp Series) e CASL (Califórnia Amateur Skateboard Association) do skate profissional e amador espalham campeonatos por todo os Estados Unidos. Começam a aparecer vários nomes do skateboard mundial: Steve Caballero, Tony Alva, Tom Sims, Tony Hawk, contribuindo assim, para o progresso do esporte. Nos anos 90, o skate vira febre no Brasil difundindo-se entre diferentes classes e faixa etárias.
A várias faces do Skate Composta por uma tribo imensa que domina cada vez mais esquinas mundo afora, o skate evoluiu e se dividiu em algumas modalidades. O Street Style, como o próprio nome diz, é praticado nas ruas, aonde corrimãos, rampas, escadas, mesas, bancos, meios-fios, e todo e qualquer tipo de obstáculo são extensivamente explorados pelos skaters. Quadras esportivas com elementos que simulam as estruturas das ruas e calçadas vem surgindo em várias cidades. O Street Style é a modalidade mais praticada no universo do skate 90% dos praticantes aderem à modalidade por sua facilidade no aprendizado, aponta Scander.
Outro segmento do esporte, muito conhecido pela sua radicalidade, é o Half Pipe ou Vertical. Consiste numa rampa enorme, com mais de três metros de altura, em formato de U, ficando dramaticamente vertical na parte mais alta da pista. Manobras aéreas super radicais podem ser apreciadas nesta modalidade. O carioca Bob Burnquist sagrou-se campeão mundial vertical antecipado neste ano. O Mini Ramp tem o mesmo formato do Half Pipe, com menor altura abaixo dos três metros.
O Down Hill Slide é adrenante! Praticado em ladeiras longas e radicais, a modalidade explora a velocidade em limites inimagináveis... Para proporcionar mais estabilidade e conforto aos seus adeptos, os skates longoboards, com cerca de 90 cm de comprimento, chegaram para ficar.


