A oportunidade de disputar a Primeira Divisão do futebol brasileiro está seduzindo alguns destaques do Londrina na campanha do Campeonato Paranaense. Às vesperas da decisão diante do Prudentópolis, confronto que definirá o terceiro representante estadual na Copa do Brasil, dirigentes do Coritiba e do Paraná Clube assediaram pessoalmente dois jogadores do Tubarão: o atacante Marcelo Silva e o lateral-direito Jamur.
O assédio causou um certo desconforto na alta cúpula do grupo gestor que considerou a atitude no mínimo antiética. O certo, segundo os dirigentes, seria uma relação mais profissional entre as diretorias interessadas e não uma abordagem direta. ''Por enquanto, o Londrina não recebeu nada oficial. A gente fica entristecido com esse tipo de comportamento porque estamos tentando profissionalizar o clube, pagar as contas, recolher os tributos. Foi uma postura antiética'', disparou o empresário Julio Lemos, uma das principais lideranças do grupo gestor.
Especialista em bolas paradas, Jamur, 27 anos, ex-Iraty, foi procurado logo após o jogo de sábado por um representante do Paraná Clube. Segundo ele, a proposta é financeiramente muito vantajosa, já que ganhará três vezes mais em relação a seus vencimentos no LEC. ''Estou disposto a ir se os dois clubes chegarem num acerto. Eu deixei tudo na mãos da diretoria, mas financeiramente será muito bom para minha vida. Tenho 27 anos, não tenho casa nem carro, vou treinar todo dia a pé, está na hora de pensar no meu futuro'', contou. Jamur, no entanto, deu recado aos dirigentes: se tiver um bom reajuste salarial pode reavaliar e ficar para a disputa da Série B do Brasileiro.
A dificuldade financeira pela qual passa o Tricolor da Capital pode, por outro lado, inviabilizar o acerto. Lemos informou ontem que o clube deve pedir algo em torno de ''R$ 100 mil a R$ 200 mil'' para liberar o jogador. Uma reunião ontem à noite realizada toda segunda-feira , envolvendo comissão técnica e grupo gestor, começaria a definir a situação. De imediato, o dirigente informou que pretende manter literalmente todo o elenco para a Série B. ''Essa é nossa prioridade, mas queremos deixar o jogador com liberdade se ele realmente quiser jogar na Capital'', ponderou.

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