Há 20 anos, quando o Londrina disputava importante fase do Campeonato Brasileiro de 77/78, o Estádio do Café viu uma cena até então inédita: foi invadido por torcedores portando bandeiras que coloriram as arquibancadas de azul e branco, completando aquela festa que foi a classificação do Tubarão às semifinais do campeonato (a equipe foi eliminada pelo Atlético-MG e ficou em quarto lugar).
O que o torcedor não entendia era por que o nome de Lavinio Sérgio, um cantor paulista, estava em destaque nas 25 mil bandeiras vendidas ou doadas naquele ano.
Nas casas especializadas da cidade, o compacto ‘Pintor de Aquarela’, do mesmo cantor, não foi um sucesso, mas depois acabou vendendo bem na cidade.
O cantor, aliás, esteve em fevereiro daquele ano, antes do segundo jogo da semifinal que o Londrina faria em Belo Horizonte contra o Atlético Mineiro, na Redação da Folha para explicar toda a situação. Na Redação, há 20 anos, ele contou a história de como foram confeccionadas todas aquelas bandeiras.
Na última quinta-feira à tarde, Lavinio Sérgio voltou à Redação para relembrar o assunto. Ele está com novo lançamento no mercado, seu recente disco - ‘Divórcio’ -, mas sem nenhum esquema promocional como o ocorrido em 1978.
Mas Lavinio lembrou de 20 anos atrás. Mais do que isso, ele tem guardado, com carinho, o exemplar da Folha de Londrina de fevereiro de 78, que traz a matéria que fala de sua visita a Londrina, fotos na Redação do jornal, uma outra com o ídolo Carlos Alberto Garcia e com as bandeiras.
Lavinio contou que, naquela época, ‘‘tinha acertado tudo com um diretor de nome Arlindo.’’ Foi difícil saber quem era, porque na diretoria do Londrina não tinha nenhum Arlindo.
Tentando desfazer o mistério, Lavinio retornou na Folha na última sexta-feira e trouxe consigo o suposto diretor Arlindo Fancio, que trouxe uma das bandeiras de 20 anos atrás. Arlindo não fazia parte da diretoria do clube, mas é amigo pessoal de Carlos Antônio Franchello, que presidia o Londrina na ocasião.
Curiosamente, a história das bandeiras começou justamente com Arlindo. ‘‘Ia sempre a São Paulo, na Record Indústria de Guarda-Chuva. E, lá, conversava com os diretores da empresa sobre a campanha do Londrina. Um deles me sugeriu a confecção de bandeiras. Eles tinham um tecido que seria perfeito e venderia a preço bem baixo. Disseram que tinham um amigo que fazia estampas e ligaram para o Lavinio. Ele foi até onde estávamos e ali acertamos preços e tudo mais’’, contou Arlindo Fancio, dono da Karilu Indústria e Comércio de Confecções, que hoje faz as camisas do Tubarão.
Lavinio Sérgio disse que, quando acertaram a negociação, ‘‘até a Sonoro, um selo da Chantecler, deu uma contribuição, pois eu estava divulgando o compacto ‘Pintor de Aquarela’. Lembro bem que foram 25 mil bandeiras confeccionadas. Na primeira vez foram cerca de 10 mil, e depois o Arlindo pediu mais e fizemos, rapidamente, mais 10 mil. Foi assim a história’’, lembrou Lavinio, 20 anos depois.
Quem sabe se, em meio às bandeiras agitadas no Estádio do Café atualmente pelas torcidas organizadas, ainda não se encontra, com um antigo torcedor, uma daquela época?

ReproduçãoBons tempos
Lavinio Cesar estampado nas páginas da Folha de
Londrina vinte anos atrás: conversas entre ele e
Arlindo Fancio, amigo de Franchello, o presidente
do Londrina na época, resultaram em uma invasão
de bandeiras que coloriram o Estádio do Café

Josoé de CarvalhoReencontro
Lavinio Cesar (esquerda) e Arlindo Fancio (direita)
seguram uma das 25 mil bandeiras que ajudaram o Londrina
na campanha vitoriosa de 77/78, quando o time chegou
à semifinal do Campeonato Brasileiro contra o Atlético
Mineiro: tecido perfeito a preço camaradaArquivo FolhaFesta londrinenseTorcedores recepcionam o time após a vitória sobre o Vasco no Rio: 25 mil bandeiras foram vendidas ou doadas naquele anoIsnard Cordeiro

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