Elas vêm de longe, de um passado remoto dos distantes arquipélagos do Pacífico. Compridas, finas e graciosas, as canoas avançam nas águas no melhor estilo havaiano. A remada deve ser em harmonia, ao mesmo tempo. Os seis bravos canoístas que a comandam estão concentrados em sua tarefa e, sobretudo, na sintonia: ''Não basta o estado físico. A equipe tem que estar coesa, com o mesmo espírito, tensão e idealismo. Sem isso, a canoa não anda!'', ensina o experiente Fábio Paiva, quinze vezes campeão brasileiro de canoagem e organizador deste 1º Campeonato Brasileiro de Canoas Havaianas, realizada no último fim-de-semana, em Santos.
O número de participantes surpreendeu: 72 atletas distribuídos entre 12 equipes (Santos, Bertioga, São Paulo e Rio de Janeiro) disputavam a melhor colocação no evento que representava um marco na história da canoagem brasileira. O esporte é extremamente novo no país. A primeira canoa chegou ao porto santista há apenas um ano e a partir dali começou a ser fabricada. Apesar da presença de canoístas, rafteiros, em várias equipes, a inexperiência dos grupos parecia ser evidente, alguns contavam com apenas dois treinos. Mas na hora do show os atletas brilharam. A briga nas duas fases finais foi acirrada, com disputas palmo-a-palmo, ora o bico de uma despontava, ora outra... Arriscado era dar algum palpite. A cada instante escutava-se: ''Hi, Hip, Hou!'', o coro afinado, legado havaiano, determinava a hora de mudar de braço; num piscar de olhos as pás de madeira giram por cima da canoa e continuam ditando a rota. O ritmo é forte e compassado.

A prova

O trajeto da prova consistia em dar duas voltas nas três bóias colocadas em frente à praia, completando um total de 14 Km. Sem dúvida a largada, guarda um dos momentos mais intensos entre as baterias. Com as quatro canoas na beira d'água, os competidores esperam o sinal de partida trinta metros mais atrás, na areia da praia. Soado o gongo, começa a correria. As equipes chegam a mil nas canoas e as empurram para o mar como podem. Enquanto uns pulavam para dentro, outros da mesma equipe já remavam com força; espetáculo jamais visto na América do Sul. Imagine a algazarra produzida durante a largada no campeonato do Havaí com mais de 900 competidores colocando as 160 canoas na água...

Foram nos primeiros metros que aconteceram os incidentes mais hilários entre as equipes. Como estão todos muito juntos, buscando a liderança, o bico de uma canoa bate na Ama da outra (suporte lateral que dá estabilidade) e acabam rolando as viradas. Os seis para o mar... Com apenas um balde na mão, os integrantes têm que se virar para livrar-se da água e voltar à competição o mais rápido possível.

Os contornos das bóias em certas ocasiões foram bem apertadas. Todo cuidado é pouco, a preferência é de quem está com o bico na frente. A outra deve abrir o passo. Os fiscais acompanham tudo de perto. As penalidades são iminentes. A única equipe que sofreu com a desclassificação, foi uma das locais, a Liana Bellandi, uma das favoritas. Após a virada no início da semifinal, eles perderam um dos remos e como não levaram um reserva, decidiram deixar um dos integrantes na praia e seguir remando, apenas em cinco. Pela regra isto não é permitido, os seis tripulantes devem chegar a linha de chegada. Lição aprendida por todos!

Espírito havaiano

Durante os dois dias de competição São Pedro abençoou os atletas na medida certa: bonito dia ensolarado no sábado e aliviou o calor no Domingo com o tempo nublado. Além do aspecto competitivo do evento, a festa ganhou muito com o astral do arquipélago havaiano presente: colares de flores desfilavam de um lado para outro, dentro e fora d'água; danças e rituais típicos abriram o evento na noite de sexta-feira, nas areias da Ponta da Praia de Santos, local das competições; batismo das quatro canoas e muito som havaiano rolando.
As canoas havaianas encantam pela sua graça, estilo e por tudo que representam. Há mais de três mil anos, as longas canoas tinham sua proposta para o povo polinésio e havaiano: servir como meio para a pesca e para o transporte entre as ilhas. Era uma meta na vida das pessoas, um meio de subsistência. Fabricadas a partir de um tronco de árvore, cada canoa, antes mesmo de ser concebida, passava por um ritual. Ao cortar uma Koa (madeira nobre do arquipélago havaiano, parecida ao Mogno) os nativos pediam autorização à mãe natureza. É por isso, naquela época as WA-A (canoas) tinham diversos tamanhos, conforme o tronco original.

O carioca Ronald Williams, o primeiro brasileiro que trouxe uma canoa havaiana ao Brasil e idealizador da Associação Brasileira de Outrigger (canoa havaiana), experimentou em sua vida pessoal os benefícios da modalidade: ''A canoa ensina. Aprende-se a baixar o facho, respeitar o próximo e dialogar muito, sempre de forma positiva, levantando o astral''.

SERVIÇO
Pólos de Canoas Havaianas:
- Regata Santista ( Santos)
- Raia Olímpica, Clube Paulistano (São Paulo)
- Outrigger Rio Clube (Rio de Janeiro)

Informações:

OPIUM FIBERGLASS: www.caiaquesopium.com.br - fone: [0xx13] 3222-2344

OUTRIGGER RIO CLUBE: www.outrigger.com.br

ONDE FICAR: Hotel Avenida Palace, Av: Presidente Wilson nº 10, Santos. Fone: [0xx13] 3289-3555.

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