Canoagem evolui e já sonha com medalha em Sydney13/Mar, 19:28 São Paulo, 13 (AE) - A canoagem brasileira começa a sonhar com bons resultados olímpicos - quem sabe até uma medalha. Há alguns anos isso pareceria impossível para um esporte sem tradição no País. Mas os vários ingredientes acrescentados, aos poucos, à realidade nacional, criaram novas perspectivas à modalidade. A experiência de Sebastian Cuattrin, de 26 anos, somada à juventude de Carlos Augusto Campos, o Guto, de 21 anos, mais a filosofia do técnico polonês Zdzislaw Szubski e a montagem de uma estrutura, em Londrina, permitem sonhar. O Brasil tem participação assegurada no K1 e K2, 500 e 1000, mas os planos são para a dupla competir no K2 1000 na Olimpíada de Sydney. Cuattrin e Guto viajam amanhã para Sydney, onde passam 15 dias para conhecer a raia olímpica e disputar o Campeonato Australiano, com países como Hungria, Alemanha e Suécia (2º, 3º e 4º, respectivamente, no Mundial de Milão, em 1999). Essa é apenas uma das viagens que a dupla fará esse ano, até setembro, de acordo com o calendário preparado por Szubski. O técnico polonês chegou ao Brasil em 1994, depois de ter trabalhado com a canoagem de Portugal e, segundo Cuattrin, revolucionou o esporte. Quando questionado sobre se há o "dedo" do técnico na sua evolução, o canoísta, de 26 anos, indo para a terceira Olimpíada, afirma que há "muito mais" que isso. "Há a mão do comando e o pé firme, o cérebro que planeja e a voz", comenta Cuatrrin. "Ele sempre está na lancha faça chuva ou sol, vendo os treinos e berrando", conta Guto. "Hoje temos um trabalho profissional, e só não entramos na água para treinar em dia que tem raio", acrescenta Cuattrin, que, depois de um ano com o polonês, entre 1995 e 1996, passou da 28ª posição da Olimpíada de Barcelona, em 1992, para a 8ª, em Atlanta, em 1996. A dupla foi 13ª no Mundial de Milão. "Mas a 3 segundos do campeão", diz Guto. O técnico, que tem contrato com a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) até 2004, organizou uma estrutura baseada na Casa do Atleta e no Iate Clube de Londrina (Lago Igapó), local onde moram e treinam 15 canoístas. Guto observa que a distância entre a casa e o Lago é de "5 minutos de bicicleta". A universidade está a 10 minutos de carro e a escola, para os mais novos, do outro lado da rua. Os caiaques, para os treinos, são suficientes. Faltam mais barcos, de fibra de carbono, para os torneios. "Mas não dá para reclamar, a canoagem está melhor", diz Cuattrin.

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