Ele é apontado como um dos candidatos mais fortes ao posto de substituto de Diogo Silva, o taekwondista brasileiro mais vitorioso dos últimos anos. Mas por muito pouco não foi parar em outro esporte. Edival Marques, ou simplesmente Netinho, apelido de menino do campeão dos Jogos Olímpicos da Juventude-2014, teve que driblar o desejo do pai, que sonhava ver o garoto de pernas alongadas desfilando habilidade nos campos de futebol do Brasil e do mundo.
Mas por um acaso desses que só o esporte é capaz de proporcionar, Netinho conheceu a modalidade que mudou sua vida. "Tinha um amigo que morava perto de casa e eu ia direto na casa dele jogar videogame. O pai dele era professor de taekwondo e me convidou para treinar, conversei com meu pai, resolvi aceitar e não parei mais", relembra. "Meu pai queria porque queria que eu fosse jogador porque ele foi também. Mas foi amor à primeira vista (com o taekwondo)", conta o garoto que nasceu e treina em João Pessoa, na Paraíba, desde os seis anos de idade. O pai de seu amigo é Tomaz de Azevedo, seu treinador até hoje.
Agora com 17 anos, o paraibano já coleciona feitos importantes. É campeão mundial e sul-americano juvenil, e detém o único ouro olímpico do Brasil no taekwondo, conquistado nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanquim, no ano passado. Por tudo isso, ele aparece como um dos grandes nomes para herdar o posto de Diogo Silva, considerado até hoje o maior nome da modalidade entre os homens.
E se engana quem pensa que o garoto se assusta com as comparações com seu maior ídolo. "É um cara que sempre admirei desde pequeno. É um grande orgulho para mim ser comparado a ele. Não sei se vou chegar ao nível que ele alcançou, mas é muito bom ser comparado a alguém que sempre sonhei seguir", revela Netinho.
Em meio às comparações, o taekwondista vive a expectativa da transição para a categoria adulto. E seu primeiro desafio será já no final deste mês, no US Open, um dos campeonatos mais tradicionais da modalidade. A meta de Netinho, que escolheu a categoria até 68 Kg, é usar o torneio americano como preparação para a seletiva adulta da seleção brasileira, que será realizada no mês que vem.
"Consegui mostrar diferença, que um menino de 17 anos pode estar no adulto e dar trabalho aos demais. Era uma das coisas que eu mais queria reverter. Estou pronto para encarar essa transição", garante o atleta, que participa de uma espécie de pré-temporada até o próximo dia 20 em Londrina, sob orientação do técnico da seleção brasileira, Fernando Madureira.
Para o talento precoce, nem mesmo a participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no ano que vem, é tratada como sonho distante. "Muita gente me falou: ‘foca 2020.’ Mas tentei encurtar, fazer com que 2016 seja uma das metas. Depois das minhas conquistas, vejo boas chances de conseguir a vaga e vou em busca dela. É meu sonho ir para uma Olimpíada e quanto mais cedo, melhor", almeja.

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