Jogar futebol de salão ou futebol de campo? Esse dilema até hoje persiste na cabeça de um atleta promissor: Everson Martinelli Maciel, de 21 anos, ex-meia-direita do Londrina Esporte Clube (LEC). Personagem, por um bom tempo, dos noticiários esportivos da cidade, em que comentaristas discutiam se o futuro dele seria melhor no gramado ou na quadra, Everson atualmente joga como pivô do time de futebol de salão do Aguativa Londrina. Mas já decidiu que vai voltar aos gramados - só que bem longe daqui.
Ele ganhou uma bolsa para estudar ‘Business’ - equivalente, no Brasil, ao curso de administração de empresas - na Universidade de Quinnipiac, no Estado de Connecticut, nos Estados Unidos. Everson ganhou a bolsa porque joga futebol de campo e vai integrar a equipe da universidade. O jogador embarca no dia 8 de agosto para o exterior.
A vida desse atleta se confunde com o esporte. Começou a correr atrás da bola, ainda garoto, nas quadras do Iate Clube de Londrina e do Canadá Country Clube, até que ingressou no time adulto do Grêmio Londrinense. Em 1996, resolveu tentar a sorte no futebol de campo e foi fazer um teste nos juniores do Palmeiras. No Palestra Itália não deu certo mas, no mesmo ano, ingressou na equipe de futebol de salão do Corinthians paulista.
Pouco depois voltou para Londrina e foi convidado para entrar na equipe júnior do Tubarão. Disputou a Taça Belo Horizonte - um dos principais torneios dessa categoria no País - e foi emprestado para o Rio Branco, de Americana (SP). Retornou para o Londrina, foi integrado a equipe e, a partir daí, sua vida virou um mar de incertezas.
Em 1997, o então presidente do Londrina, Marcelo Caldarelli, renunciou ao cargo e saiu do clube com o passe de diversos jogadores - entre eles, o de Everson. ‘‘Na época meu passe estava sendo negociado com o Apucarana, mas eu preferia ficar aqui. Então comprei o passe do Caldarelli’’, disse Everson. Ele pagou R$ 3 mil. Como precisava ficar vinculado a algum time, conversou com os dirigentes do Londrina e foi novamente reintegrado.
No ano passado foi campeão paranaense de juniores, sendo um dos artilheiros do time, com 11 gols. Novas mudanças no Londrina e novas incertezas. A Sociedade dos Amigos do Londrina (SAL) - criada para tentar tocar o clube com a saída de Caldarelli - também deixou o comando da equipe e Everson foi verificar como estava sua situação. Ficou sabendo que, mesmo sem ter recebido um centavo por isso, seu passe voltou a pertencer ao Londrina.
No começo do ano, foi chamado para discutir salário. ‘‘Eles me ofereceram R$ 400,00, não chegamos a um acordo e resolvi parar com o futebol de campo. Não briguei com ninguém e deixei as portas abertas’’, disse Everson ontem à Folha, após o treino de ontem do Aguativa para a partida desta noite contra a Amafusa, de Maringá, pela Chave Ouro (divisão especial) do Campeonato Paranaense de futsal.
Convidado pelo Aguativa, voltou para o futsal. ‘‘Há pouco tempo o técnico do Londrina, Val de Mello, me chamou, eu voltei, treinei com o pessoal, fiz até um gol, fiquei uma semana confuso, eu gosto muito do Londrina, o time é sempre uma vitrine, e queria estar jogando. Mas não podia perder essa oportunidade de estudar nos Estados Unidos. Lá também tem times profissionais de futebol. Quem sabe...’’

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