A tarde deste domingo entrará para a história de Campo Mourão. Pela primeira vez em 91 anos de Campeonato Paranaense um time da cidade disputará a final do torneio mais importante do Estado. ‘‘É uma conquista muito significativa para Campo Mourão. Ficaremos conhecidos nacionalmente através do esporte, uma fonte muito boa de divulgação’’, comemorou o prefeito Nelson José Tureck (PMDB), que já foi jogador de futsal e presidente de time amador.
  A cidade já teve o artilheiro do Campeonato Paranaense. Em 1991, o atacante Alcântara fez 30 gols na competição defendendo o Sport. Ele é o maior artilheiro vivo em uma edição do Estadual.
  Mas a consagração mourãoense veio com um time que foi encarado como forasteiro, quando chegou à cidade há cinco anos, após abandonar Jacarezinho, no Norte Pioneiro. Romper a barreira da desconfiança e conseguir credibilidade foi a primeira batalha vencida pela Associação Desportiva Atlética do Paraná (Adap). Meia década depois, o time é unanimidade e orgulho na cidade. ‘‘Muita gente em Campo Mourão pensava que eram um bando de forasteiros, de pessoas que queriam apenas ganhar dinheiro e depois iriam embora. Agora não. Vimos que são pessoas sérias, que estão fazendo um belo trabalho e a Adap já é uma coisa de Campo Mourão’’, comentou Austin Andrade, presidente da Torcida Organizada Leões da Falange.
  No entanto, no momento em que Campo Mourão teria a oportunidade de se redimir do pré-julgamento e selar de vez o casamento com o time, a cidade ficou pequena e a Adap teve que fazer de Maringá a sua casa na decisão. Sem imaginar que um dia poderia ser palco de uma final de Campeonato Paranaense, a cidade deixou seu estádio parar no tempo e terá que percorrer cerca de 90 quilômetros para acompanhar o jogo histórico. O Estádio Roberto Brzezinski tem capacidade para apenas cinco mil torcedores, dez mil a menos do que o mínimo exigido pela Federação Paranaense de Futebol (FPF). Fora isso, existem outros problemas estruturais que dificultam a realização do jogo, como as cabines de imprensa, qua ainda são de madeira.
  Para evitar que isso se repita futuramente, Tureck já prometeu iniciar as obras de ampliação e melhoria do estádio ainda este ano. ‘‘Vamos investir de R$ 10 milhões a 12 milhões e deixar o Brzezinski no nível do Café (em Londrina), do Willie Davids (em Maringá) e do Pinheirão (em Curitiba)’’, prometeu.

  Invasão – A distância, porém, não será obstáculo para a torcida mourãoense. A cidade se vestiu de vermelho e branco durante esta semana e deve invadir o Estádio Willie Davids, em Maringá. ‘‘Foi uma atitude sensata levar esse jogo para Maringá. Lógico que queríamos que fosse em Campo Mourão, mas infelizmente temos que reconhecer que não temos condições de fazê-lo aqui. Vamos invadir, no bom sentido, Maringá e empurrar a Adap’’, convocou Andrade. Numa situação semelhante, no ano passado, o Cianorte atropelou o todo-poderoso Corinthians pela Copa do Brasil no mesmo estádio e os torcedores da Adap querem repetir a façanha contra o Paraná Clube.
  Além deles, o time deve atrair o apoio de todo o interior do Estado, que não faz um campeão desde o título de 92 do Londrina – em 2002 o Iraty foi campeão, mas o torneio não teve a participação dos grandes. ‘‘Pedimos o apoio de toda a torcida do interior. Vamos todos nos juntar em pról do futebol do interior do Paranᒒ, pediu o presidente da Adap, Adilson Batista Prado. ‘‘Sabemos que não ganhamos nada, mas chegar à final já é um passo muito importante para a Adap. Campo Mourão vive um momento mágico, que não há dinheiro que pague’’.

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