Curitiba - Uma das mais célebres frases do dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues decreta que o Fla-Flu ''começou 40 minutos antes do nada''. Exagero à parte, é na rivalidade regional que está a essência do futebol, no Brasil e no mundo. Ganhar do ''vizinho'' é sempre melhor, ainda mais quando a disputa vale título, como acontece na decisão do Paranaense, que coloca Atlético e Coritiba frente-a-frente mais uma vez.
Rivais históricos, desde o primeiro jogo oficial pelo Estadual de 1924, vencido pelo Coxa por 6 a 3, os dois clubes voltam a decidir a competição, o que não ocorria desde 2005. Será a 13 disputa direta pelo título, com ligeiro predomínio do Atlético, que levou a melhor em sete oportunidades. Para compensar, o Coritiba leva vantagem nos clássicos pelo Paranaense, com 91 vitórias contra 70 do rival, além de 74 empates.
O primeiro duelo decisivo será no Couto Pereira, no próximo domingo, e o jogo de volta na Arena, uma semana depois. Esta é a vantagem que o Furacão tem pela melhor campanha (fez 56 pontos contra 50) já que em caso de dois empates - ou vitória e derrota pela mesma diferença de gols -, a decisão vai para a prorrogação e, se necessário, para a disputa de pênaltis. E como se enfrentam mais duas vezes no Brasileirão, os dois adversários já garantiram a realização de cinco confrontos em 2008, um a mais do que a soma das três últimas temporadas.
Além disso, a decisão serve como parâmetro para o Nacional. De um lado está o Atlético, que manteve a base de 2007 e trouxe poucos reforços - esta semana deve confirmar a vinda do volante Leandro Fahel, do Beira-Mar (POR) -, mas perdeu peças importantes com as negociações de Alex Mineiro, Ferreira e Claiton. Do outro, um renovado Coritiba, que se desfez de quase todo o grupo campeão da Série B do ano passado e ainda busca o entrosamento ideal sob o comando de Dorival Júnior.
Variantes que permitem prever jogos bem disputados, como costumam ser as decisões. ''Será uma final equilibrada e clássico não tem favorito. Mudamos o plano tático e lá (no Coritiba) também houve mudanças'', ressalta Franco, que aguarda o encaminhamento da denúncia da agressão de Marcelo Ramos sobre Ciro, do Toledo, para saber se terá ou não seu principal atacante. O acúmulo de processos no TJD pode adiar o julgamento, garantindo a presença do atacante na 1 partida. Certo mesmo é o retorno do zagueiro Danilo após cumprir suspensão.
No Alto da Glória, as únicas dúvidas são as presenças dos lesionados Marcos Tamandaré e Leandro Donizete, que passarão por avaliações médicas. Pedro Ken deve ser confirmado no time titular e Rubens Cardoso pode voltar à lateral-esquerda. No ataque, Keirrison tem presença garantida e tenta confirmar a boa fase. ''O mais importante é ajudar a equipe. Vamos trabalhar pensando na primeira decisão diante do Atlético. Estamos crescendo numa fase importante da competição'', afirma o atacante, que espera repetir o ''jogo de truco'' que adotou para comemorar seus gols.

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