Campeões mundiais defendem renovação na direção de clubes
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sábado, 25 de maio de 2002
Lúcio Flávio Moura Reportagem Local 
Ao desembarcar em Recife com a Taça Fifa, naquele já distante 19 de julho de 1994, o grupo tetracampeão sentiu a dimensão de seu feito. A multidão no aeroporto e nas ruas da capital pernambucana reverenciou como heróis da Pátria o artilheiro Romário, o capitão Dunga e seus companheiros coadjuvantes.
A Nação se curvava ao futebol pragmático e pouco empolgante imposto pelo técnico Carlos Alberto Parreira. A vitória era a redenção na carreira de jogadores que haviam experimentado o sabor amargo de ser eliminado da Copa do Mundo em um confronto eliminatório com a Argentina, fato ocorrido quatro anos antes em Turim, na Itália, e de ter perdido a primeira vez em um jogo válido pelas Eliminatórias 2 a 0 para a Bolívia, em La Paz, um ano antes.
Na derrota e na vitória, ex-os jogadores grande parte com experiência no organizado futebol europeu conheceram, por dentro, o mundo da cartolagem. Hoje, fora dos gramados, continuam lamentando o nível dos presidentes de clubes e entidades, cujo perfil se deteriorou ainda mais nos últimos anos. O futebol se tornou um grande negócio. O problema é que as pessoas querem usá-lo para seus próprios interesses, lembrou Dunga.
O capitão de Parreira aposta na aplicação da Lei de Responsabilidade Patrimonial, em trâmite no Congresso Nacional, para mudar esta situação. Os dirigentes devem pagar pelo que fazem. Hoje, eles trabalham do jeito que querem. Ninguém é punido, disse Dunga, que auxiliou na elaboração do projeto.
Zetti, técnico dos juniores do São Paulo, diz que, antes de mais nada, a direção do esporte deve ser profissionalizada e depois, renovada. O ex-goleiro disse que tem vontade de exercer algum cargo diretivo, mas pretende se preparar teoricamente para assumir um posto. Tem que haver renovação, com uma nova mentalidade. Mas esta safra precisa estar melhor preparada que a atual.
Jorginho reclamou da atual estrutura eletiva dos dirigentes. Ele acha que no Brasil não há espaço para ex-jogadores se tornarem cartolas, uma tendência cada vez mais forte no futebol europeu. Vejo com bons olhos esta possibilidade, mas é preciso que o processo seja mais democrático.


