Campeões do Sub-20 não têm espaço na Espanha
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Ubiratan Brasil 
Barcelona, 28 (AE) - A comemoração pela conquista do Mundial sub-20 na Nigéria durou pouco, na Espanha. A volta dos jogadores carregando o principal troféu conquistado pela seleção do país provocou uma incômoda questão: em que time jogarão os jovens campeões, uma vez que o futebol espanhol é dominado por estrangeiros?
Os próprios atletas não escondiam seu temor. "Não sei qual será meu futuro agora", disse o meia Xavi, de 19 anos, que chegou a jogar na equipe principal do Barcelona, mas perdeu a vaga para Guardiola. "Todos esperamos que o reconhecimento pela conquista seja a possibilidade de ter uma chance." No futebol, jogam atualmente 415 estrangeiros, número que deverá flutuar muito nestes dias, com a intensificação dos negócios de verão.
O próprio Barcelona conta com oito holandeses, três brasileiros, um nigeriano, um argentino, um português e um iugoslavo. Os jogadores da comunidade européia não são considerados estrangeiros, mas sua presença impede a ascensão de um espanhol.
"Trata-se realmente de uma competição desigual, pois os que estão aqui são jogadores qualificados", comenta o goleiro do Barça, o holandês Hesp. "O que deve acontecer é os jogadores campeões no sub-20 mostrarem seu valor e garantir uma vaga por mérito próprio." Segundo Hesp, o simples fato da conquista mundial não pode significar que os garotos tenham um espaço reservado.
O técnico do Barcelona, o também holandês Louis van Gaal, é contra a reserva de mercado. "Atualmente, tem de se privilegiar os melhores", acredita ele, procurando isentar-se das críticas. "Eu sou um dos raros treinadores a testar juniores na equipe principal, o que não é pouco em se tratando do nível dos estrangeiros que atuam no time." A discussão acirrou-se com a declaração do ministro de Cultura, Mariano Rajoy, disposto a tomar medidas caso as Ligas Profissionais não reduzam o número de estrangeiros por equipe a partir de 2000. "Acredito que a presença de seis jogadores no futebol e três no basquete é excessiva", afirmou. "Vamos respeitar os contratos que estão em vigor, mas, se as ligas não tomarem nenhuma providência, o governo vai agir."


