Campeãs mundiais de vela lamentam poluição na baía de Guanabara
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quarta-feira, 04 de março de 2015
Marcel Merguizo<br>Folhapress 
São Paulo - Campeãs mundiais e eleitas as melhores velejadoras do planeta em 2014, Kahena Kunze e Martine Grael continuam indignadas com a poluição na baía de Guanabara, local onde treinam e no qual são favoritas à medalha nos Jogos do Rio na classe 49erFX. Para piorar a situação da sede das disputas de vela na Olimpíada de 2016, a pouco mais de um ano da abertura dos Jogos, o governo do Rio decidiu suspender a estratégia de limpeza do espelho d'água da baía.
"Acredito que as autoridades tiveram bastante tempo para buscar as soluções necessárias para a despoluição da baía, ou pelo menos a maior parte. A verdade é que até agora não fizeram muita coisa, apenas medidas paliativas como o uso de ecoboats e ecobarreiras nos rios que desaguam na baía", disse Kahena.
A Secretaria Estadual do Ambiente suspendeu há 20 dias o serviço dos ecobarcos, que "varriam" o mar, e vai rever o projeto das ecobarreiras, que represavam os detritos nos rios. Além do replanejamento, fornecedores dizem que o governo atrasou o pagamento do serviço. Em agosto deste ano, ocorre o segundo evento-teste olímpico no local. "É horrível saber que os melhores velejadores do mundo estarão no Rio, em uma Olimpíada, e terão que entrar nessa água suja para competir. A tristeza é maior ao saber que depois dos Jogos tudo continuará do mesmo jeito. Vão esquecer o problema", completou a velejadora.
Na semana passada, a visita do Comitê Olímpico Internacional (COI) ao Rio foi marcada pelo anúncio do governo de que não cumpriria a meta de tratar 80% do esgoto despejado na baía. "É claro que não é fácil despoluir a baía de Guanabara. É necessário um trabalho a longo prazo na área social, em educação, além da melhora da infraestrutura das cidades ao redor da baía. Isso praticamente não foi feito nesses últimos anos. Principalmente depois de 2009 (ano da escolha do Rio como sede), o foco deveria ser total nisso, mas não foi o que vimos. Essa preocupação tardia com a atual situação é um retrato do despreparo das autoridades", afirmou Martine Grael.


