São Paulo - Dois exames antidoping realizados, duas atletas flagradas pelo uso de EPO, hormônio sintético utilizado para produzir glóbulos vermelhos e ajudar na resistência. Foi esse o saldo da prova feminina do Campeonato Brasileiro de Ciclismo de Estrada, realizado em junho passado, em São Carlos (SP). Como cada exame custa cerca de US$ 500, a CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo) aplicou o teste de urina para EPO apenas nas campeãs: Marcia Fernandes, da elite, e Nayara Gomes Ramos, no sub-23.
Comunicadas, nenhuma das duas pediu a análise da contraprova, indicando que admitem o doping. Elas foram julgadas no último dia 15 de outubro, em sessão presidida pelo médico Eduardo de Rose, principal autoridade brasileira em controle antidoping, e punidas com dois anos de suspensão, retroativa à data do exame.
O caso mais grave é de Marcia, de 23 anos, a mais jovem do clã Fernandes, composto por ela, Janildes, Clemilda e Uênia, todas regularmente convocadas para a seleção brasileira da modalidade. Elas não competem mais pela mesma equipe (Marcia e Clemilda defendem a Durango, da Espanha), mas treinam juntas. Procurada, Márcia não quis se pronunciar sobre o caso.
Questionada se o doping na família preocupa, a CBC respondeu por escrito que: "está fazendo os controles. Aqueles que forem flagrados fazendo uso de substâncias proibidas para a prática do ciclismo, serão penalizados".
Já com relação a um possível aumento no controle depois de duas campeãs flagradas, a entidade escreveu: "A CBC estará sempre realizando os exames no maior número de provas possível. A CBC também analisa a possibilidade de realização de exames surpresa fora de competição".
Marco Antonio Barbosa, diretor-técnico, e Francisco Cusco, diretor do alto rendimento, se esquivaram de responder sobre a possibilidade de um doping sistemático, dizendo que há controle regular no circuito internacional (da qual as brasileiras quase nada participam, segundo reclamam sempre). A CBC não respondeu a quantos exames cada atleta da família Fernandes foi submetida este ano.
Nayara, de 19 anos, não foi encontrada pela reportagem. O técnico que a formou em Araçatuba (SP), Alemão, a dispensou assim que soube do doping. Ele alega ter perdido o contato com a atleta, que hoje mora em Maringá.

ATLETISMO
Não custa lembrar que o EPO, um hormônio secretado pelo rim e que estimula a produção de glóbulos vermelhos, foi o pivô do maior escândalo de doping do País, na Rede Atletismo, em Presidente Prudente, em 2009. Na ocasião, os técnicos Jayme Netto e Inaldo Sena foram condenados por estimular que cinco atletas classificados para o Mundial de Atletismo daquele ano recebessem injeção com EPO sintético. Foram suspensos: Bruno Lins, Jorge Célio da Rocha Sena, Josiane Tito, Luciana França e Lucimara Silveste. Desses, só Bruno Lins voltou com força ao esporte de alto rendimento.

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