Campeão paranaense pelo Londrina em 1992 e terceiro colocado no Mundial Sub-20 de 1989 com a seleção brasileira, que tinha na época Carlos Germano, Leonardo, Bismarck e Sonny Anderson, o ex-zagueiro Souza vive uma reclusão na Coreia do Sul. Há cinco anos, ele partiu para o país oriental para treinar os times infantil e juvenil de uma escolinha de futebol e por lá ficou. De férias em Londrina, ele conta que deseja voltar para o Brasil para trabalhar como treinador em alguma categoria de base e sonha com um retorno ao Tubarão.
"Tive três passagens pelo Londrina e não quero apagar o meu passado. A gente guarda um carinho muito grande pelo clube que nos lançou. O Londrina é especial. A alegria de ser campeão é algo especial e no Londrina consegui isso", afirmou o ex-zagueiro.
José Sá de Souza, 42 anos, sabe muito bem o que é se aventurar por aí. Nascido em Juazeiro do Norte-CE, ele acompanhou a família no Maranhão, Piauí e em Osasco (SP), antes de chegar a Londrina, desta vez, para atuar na base do Tubarão.
Por isso, partir sozinho para a Coreia do Sul, não foi difícil. Já aprender coreano foi muito mais. "Fiz dois anos de curso, mas é complicado demais", afirmou.
Souza desembarcou no Oriente por indicação de um amigo. É um dos treinadores da escola Raven. Na terra do novo fenômeno musical, Psy, teve que se adaptar ao rígido sistema de ensino coreano. "Eles ensinam a condução da bola, mas quando o garoto tenta alguma jogada individual e erra o lance, apanha do treinador com o consentimento dos pais no intervalo do treino", contou.
Souza disse que não adotou a postura. Prefere orientar, mas relatou que a prática é muito normal por lá. "Nossa forma de trabalhar é o diálogo. Bater não educa ninguém. Pelo contrário, vai matar a ousadia do garoto, que sabe que se errar vai apanhar, então nem tenta uma jogada individual".
Souza foi revelado pelo Londrina, era titular na última conquista importante do clube, o Estadual de 92. No ano seguinte, foi para a Portuguesa de Denner. Depois, rodou o Brasil até voltar ao Tubarão no fim da década de 90. Em 2005, retornou ao clube como auxiliar técnico.
Souza volta na metade de novembro para a Coreia do Sul. Ele se reapresenta ao Ravens, mas vislumbra a ida para algum time profissional, para trabalhar na base. Caso não consiga, deve voltar ao Brasil. "Tenho duas propostas aqui do Brasil, que estou estudando. Vamos ver", concluiu.

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