''Acho que nós ganhamos essa (Copa do Mundo) também. Os meninos são muito bons, o Ronaldinho, o Robinho, o Ronaldo''. As palavras otimistas em relação ao hexacampeonato mundial da seleção brasileira são de alguém que já sentiu o gostinho de fazer parte de um grupo campeão do mundo, de quem entrou para a história do futebol brasileiro por ter ajudado a bordar a primeira estrela sobre o distintivo da CBF, na época ainda CBD, em 1958. Ex-lateral-direito do São Paulo e da seleção, Nilton De Sordi acredita que o Brasil fatura seu sexto título mundial, mas aponta a Inglaterra como possível surpresa. Quantos aos donos da casa: ''Falam muito da Alemanha, mas eles não dão em nada'', diz o ex-lateral que mora em Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio).
Mesmo confiante na conquista, De Sordi fez um alerta para que o time não se deixe perder pelo excesso de confiança. ''O segredo é jogar o que sabe e não inventar. Aí ganhamos a Copa'', alertou.
O ex-lateral confessou não ser muito simpático ao trabalho do técnico Carlos Alberto Parreira. ''Não gosto dele. É muito saudosista. Se o cara está mal, mas jogou com ele, o Parreira mantém no time. Não é assim que funciona'', condenou.
Se não poupou críticas ao comandante da seleção, De Sordi não também poupou elogios à dupla de Ronaldos, principalmente ao Gaúcho. ''Esse Ronaldinho joga muito, sacode a torcida e o time. É rápido, toca muito bem a bola e tem uma visão de jogo fantástica. O Ronaldo está numa fase ruim, mas é muito bom também'', ressaltou.
De Sordi não vê a hora de começar o Mundial. Para ele, é o momento de relembrar a melhor fase da vitoriosa carreira e torcer para as novas gerações do futebol brasileiro. ''Ano de Copa a gente sempre sente uma alegria especial, uma vibração'', contou.
Homenagem Aos 75 anos e lutando contra o avanço de um Mal de Parkinson, que limitou seus movimentos e sua fala, o ex-jogador ainda se emociona quando o assunto é seleção brasileira. Em sua última entrevista, concedida exclusivamente à Folha devido aos problemas de saúde, a família não quer expô-lo mais , ele não conseguiu segurar o choro.
De Sordi recebeu uma homenagem da Fifa este ano. Foi convidado pela entidade máxima do futebol para acompanhar a cerimônia de abertura e a partida inicial, entre a anfitriã Alemanha e a Costa Rica. O convite, válido para duas pessoas, está muito bem guardado. Será colocado em exposição na sala de sua casa junto com outras fotos e homenagens que recebem. ''Quando recebi o convite, fiquei muito emocionado, porque, pô, lembraram da gente. Sinto muito, mas não dá para ir. Não consigo andar direito e nem falar direito'', lamentou, com a voz embargada pelo choro que ele tentava segurar.
Mas não é só a Fifa que se lembra do ex-lateral. Ele recebe diariamente cartas de várias partes do mundo com pedidos de autógrafos e lembranças, como fotos autografadas. Na maioria dos casos, as correspondências contêm, além do pedido, uma nota de US$ 1 para pagamento das despesas de reenvio. Ele não só responde a todas como devolve o dinheiro.
Das lembranças do passado glorioso, restaram apenas algumas fotografias e certificados, organizados por ele mesmo em ordem cronológica na sala de tevê de sua chácara, em Bandeirantes. Todos os materiais como chuteiras e camisas usados na Copa de 1958 e ao longo da carreira foram doados para instituições de caridade.

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