São Paulo - Dentre os brasileiros campeões mundiais, Luciano Corrêa é o menos badalado e, talvez, o menos conhecido do público, ao contrário de João Derly e Tiago Camilo. Mas o que pode parecer desvantagem, em um primeiro momento, é visto como trunfo pela comissão técnica. Aos 25 anos, o meio-pesado ganhou a condição de favorito à conquista do ouro olímpico. Muito por causa desse ''anonimato''.
O fato de Tiago Camilo já ser medalhista olímpico - foi prata em Sydney/2000 - o torna mais visado, da mesma maneira que Derly experimenta a fama desde 2005, quando se tornou campeão mundial pela primeira vez. Além disso, diz Luiz Shinohara, técnico da seleção, as categorias meio-leve (de Derly) e meio-médio (de Camilo) são mais equilibradas.
''Fico satisfeito em saber dessa confiança, mas preciso pensar passo a passo'', diz o brasiliense Luciano, que há oito anos defende o Minas. ''Por isso, não me importo em ser famoso. Ser tranquilo faz parte do meu jeito'', garante. ''Ainda preciso garantir minha vaga na Olimpíada. Depois disso, posso começar a pensar em medalhas.''
O judoca lembra que terá de conseguir bons resultados na Europa para conquistar o lugar de titular e superar o jovem Leonardo Leite, atualmente reserva.
Representante da categoria meio-pesado, que mais glórias deu ao judô nacional, Luciano faz parte de uma linhagem que já teve Chiaki Ishii (primeiro brasileiro a conquistar uma medalha olímpica, bronze em Munique/1972), Douglas Vieira (que levou o País à primeira final olímpica, quando foi prata em Los Angeles/1984) e Aurélio Miguel, o primeiro judoca de ouro, em Seul/1988 - foi também bronze em Atlanta/1996. Luciano também entrou para o seleto grupo ao conquistar o título mundial, em setembro de 2007, no Rio.
''É uma honra ser da mesma categoria de tantas estrelas'', diz o atleta, que pretende estar também nos Jogos de 2012, em Londres. ''Tenho certeza de que até lá posso trazer mais títulos.'' Seu maior espelho é Aurélio Miguel, único judoca brasileiro a conquistar medalhas em duas olimpíadas.

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