Superação, talvez, seja a palavra que melhor defina a vida de Rafaela Luzia Lins, 16 anos, aluna do Instituto de Orientação e Reabilitação da Criança Excepcional (Iorse) - Apae de Rolândia. Além de ser portadora de necessidade mental, Rafaela mora em um orfanato. Tantos problemas não foram suficientes para impedir que a jovem se tornasse uma grande atleta.
No Campeonato Brasileiro disputado em Cubatão, há 15 dias, Rafaela sagrou-se campeã da prova de 100 metros com barreiras, foi vice-campeã na prova de salto em altura, além de integrar o revezamento 4x100m que foi vice-campeão e o 4x400m que ficou em terceiro lugar. Com esses resultados, foi convocada para representar o Brasil no Global Games (Jogos Mundiais para Deficientes Mentais), que será realizado na Suécia, de 28 de julho a 4 de agosto.
A professora de educação física, Maria Nadir Medeiros Balsan, conta que Rafaela começou a treinar para competições há cerca de quatro anos. Primeiro, participou de provas regionais. As vitórias e índices obtidos a levaram a disputar campeonatos estaduais e nacionais. Ano passado, em seu primeiro Brasileiro, Rafaela conquistou o título nos 100 metros com barreiras. Segundo Nadir, a maior dificuldade da atleta é no salto em distância. ''Ela tem problemas com a tábua de impulsão'', explicou.
Como preparação para o Global Games, Rafaela intensificou a carga de treinamento, cerca de uma hora e 50 minutos por dia. Ela gosta tanto de praticar esportes que nem se incomoda com os treinamentos. ''Estou muito feliz'', disse em relação à sua participação no Mundial. Em sua curta carreira, Rafaela já conquistou 38 medalhas, todos expostas com muito carinho no orfanato. Seu maior sonho é participar de uma Paraolimpíada.
A professora ressalta que o nível técnico de Rafaela e dos demais atletas portadores de necessidades especiais vêm aumentando, desde que começaram a participar de competições juntamente com alunos de escolas convencionais. Desde o ano passado, segundo Nadir, atletas das Apaes participam dos Jogos Escolares. ''É uma integração muito importante para eles. Os demais alunos os tratam com muito respeito'', observou Nadir, que desenvolve o trabalho com os alunos juntamente ao professor José Ricardo de Moraes. (G.A.)

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