Foram quase 13 horas de viagem desde Valência, na Espanha, até Londrina. Mas nem mesmo o cansaço foi suficiente para roubar o belo sorriso do rosto de Natália Falavigna. Também, não era para menos, ela não via a hora de mostrar para a cidade sua nova conquista: a medalha de ouro na categoria até 73 quilos no Campeonato Mundial Universitário de Taekwondo.
Natália chegou na madrugada de ontem à cidade como a primeira brasileira campeã mundial universitária. A conquista não surpreendeu a lutadora, que já se acostumou a ficar no topo do esporte no mundo. ''Não me surpreendo mais, não. Tenho trabalhado para disputar títulos e o que me deixa feliz é que estou conseguindo me manter no topo e saber que não cheguei no ápice. Posso conquistar mais'', analisou a aluna do terceiro semestre do curso de Educação Física da Universidade Norte do Paraná (Unopar), que traçou seus projetos na carreira. ''Tenho que vencer e vencer sempre''.
Em meio às comemorações em casa por mais uma conquista, a campeã mundial fez um anúncio ruim. A verba da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTkd) para as disputas internacionais acabou para este ano.
Desta forma, se quiser competir no exterior, Natália terá que custear suas despesas. ''Para mim, seria importante fazer pelo menos 15 dias de treinos na Coréia do Sul e disputar a Copa do Mundo da Tailândia. Estamos numa época importante de preparação para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e precisamos nos manter o máximo possível em atividade'', lamentou.
Plano B Ela, no entanto, minimizou a falta de competições no segundo semestre, ressaltando as conquistas nos primeiros seis meses de 2006. A medalha conquistada na Universidade de Valência, na Espanha, foi a quarta de Natália na temporada, depois do ouro no Aberto da Bélgica, da prata no Aberto dos Estados Unidos e do bronze no Aberto da Holanda. ''Foi um primeiro semestre muito bom. Competi muito mais do que no ano passado inteiro. Se duvidar, dos últimos dois anos. Mas espero poder fazer duas viagens internacionais ainda antes do Sul-Americano e do Pan'', apontou.
Natália garante que não terá prejuízo com a falta de competições. Ela lembrou que sempre conviveu com esse tipo de dificuldade e que será mais uma barreira a ser vencida. Mas o treinador dela e da seleção brasileira, Fernando Madureira, já tem um plano B para o caso de a falta de dinheiro da CBTkd se confirmar. Ele está acertando os últimos detalhes para que ela dispute o Argentina Open, que reunirá as principais lutadoras sul-americanas. ''É uma alternativa para suprir essa falta'', observou Madureira.
Enquanto isso, Natália disputará os Jogos Abertos de São Paulo e o Campeonato Brasileiro. ''São estilos diferentes de luta e de arbitragem'', apontou a lutadora.
Aos 22 anos, Natália já foi campeã mundial senior até 72 quilos, em Madri, em 2005, e quarta colocada na Olimpíada de Atenas, em 2004, além do título universitário. Nada disso, porém, foi suficiente para que ela conseguisse apoio financeiro para competir. A campeã mundial conta apenas com o patrocínio da Pinho Bril e com uma bolsa de estudos da Unopar.

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