Campeã mundial de handebol, Mayara chega hoje a Marialva
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
O domingo histórico para o esporte brasileiro teve um tempero norte paranaense. Entre as jogadoras que conquistaram pela primeira vez o Mundial de Handebol com a seleção brasileira estava a araponguense criada em Marialva, Mayara Fier de Moura, de 27 anos. Ela desembarca hoje, às 17 horas, no Aeroporto de Maringá e será recepcionada pela pessoa que tem uma grande participação na história esportiva da jogadora: o pai, Ralph Corrêa de Moura, que também é técnico da modalidade.
Ele foi um dos grandes incentivadores da filha e, obviamente, seu primeiro treinador. "Eu sempre fui um técnico muito exigente, principalmente com ela e com meu filho, que sempre foram atletas meus, e com minha esposa, que também foi minha atleta", contou Moura. "A gente procura ver que foi pelo caminho da persistência, pela exigência, para que ela tivesse essa forma de pensar como atleta e conseguiu essa conquista. Acredito que estivemos sempre no caminho certo", completou.
Domingo, no dia da decisão contra as donas da casa, a Sérvia, Marialva parou para ver a filha adotiva ilustre. A sala da casa da família Moura ficou lotada de torcedores e não teve quem não se emocionou. "A emoção tomou conta de todos, desde quem estava narrando até os amigos aqui em casa, toda a galera do handebol de Marialva. Não teve um que não chorou. Um choro de satisfação de alegria e orgulho", descreveu o pai da campeã mundial.
O choro foi ainda maior devido ao que Mayara passou em 2013. Se não fosse tão importante para o esquema do técnico Morten Soubak e se não tivesse a confiança dele, ela estaria fora do Mundial. May, como é chamada, sofreu uma fratura por estresse na tíbia esquerda no início do ano. Por esse motivo, não teve o contrato com o Hypo Nö, time austríaco e base da seleção brasileira, treinado pelo próprio Morten, renovado. De volta ao Brasil, se recuperou por conta própria e conseguiu ser acolhida pelo ex-clube, Blumenau, para treinar e manter a forma. "Ela estava meio apreensiva por estar sem clube, com medo de não ser convocada. Mas o técnico a conhecia bem e era uma jogadora fundamental para o time", afirmou Moura.
Ele vai poder dar o abraço forte de parabéns hoje à tarde e também ouvir a descrição da filha para o fim do ano que se desenhava o pior da carreira e mudou no final. Domingo, após o jogo, conseguiu apenas trocar poucas palavras com ela. "Conversamos rapidamente, pelo Skype. Ela estava saindo para jantar e comemorar. Mas disse que era uma alegria muito grande, que foi uma coroação de um trabalho, de um esforço de uma atleta que vem de contusão. Você tem aquela incerteza, aquele estresse se vai melhorar ou não, e teve aquela sensação de ter vencido uma batalha", afirmou Moura, lembrando que antes de embarcar, a filha falou da convicção de um bom resultado na Sérvia. "Ela tinha uma convicção de que o time ia para a final e tinha condições de ser campeão. Elas foram focadas para isso. Espantar todos os fantasmas de olimpíadas e mundiais passados. O jogo chave era a Hungria, que deu até um certo peso psicológico favorável", concluiu.


