A histórica campanha do São Caetano – clube com apenas 11 anos de existência do ABC paulista – na Copa João Havelange remete o torcedor paranaense e, em especial o torcedor do Londrina, à grande façanha do time londrinense que terminou na quarta colocação do Campeonato Brasileiro de 1977. Ambos os times são do interior e usam o uniforme azul e branco. Até no apelido as equipes têm algo em comum: o time paulista é chamado de Azulão e o Londrina ganhou o apelido carinhoso de Tubarão a partir de 1976 em alusão ao filme de mesmo nome à época em que um tubarão assassino assustava banhistas numa praia americana.
O brilho dos times nos gramados contagiou de mesmo modo a torcida e as cidades. Se hoje é São Caetano é quem se orgulha de se vestir de azul, no passado eram os londrinenses quem faziam questão de vestir a camisa listrada de azul e branca do Tubarão.
Até mesmo na formação dos elencos, há semelhanças. Apesar de o São Caetano ser composto por algumas revelações como o goleiro Sílvio Luis e o lateral-esquerdo César, alguns de seus destaques são bem experientes casos do artilheiro Adhemar, 28 anos, do atacante Zinho, 31 anos, do meia Ailton, 28 anos.
O Londrina, de 77, tinha nomes como o goleiro Paulo Rogério e o meia Carlos Alberto Garcia (ex-Corinthians), o ponta Xaxá e o zagueiro Arenghi (ex-Portuguesa-SP), o ponta Nenê (ex-Atlético-PR) e jogadores da região que buscavam projeção casos do atacante Brandão, do meia Ademar, do ala-volante Claudinho e do volante Zé Roberto. Jair Picerni, o treinador do São Caetano, e Armando Renganeschi, técnico do Londrina em 77, ainda não haviam conseguido a façanha de colocar um clube entre os quatro melhores do País.
Os números do Londrina no Nacional de 77 – cujas etapas decisivas foram disputadas no início de 1978 – são mais impressionantes do que os do São Caetano. O Tubarão teve de conseguir sua vaga numa suada repescagem contra três times goianos – Goiás, Vila Nova e Goiânia – e o Atlético Paranaense. Tido como zebra nas quartas-de-final, o time foi engolindo passo a passo seus adversários: 2 a 0 no Caxias e 1 a 0 no Flamengo, no Estádio do Café, 2 a 1 no Santos, em São Paulo, 1 a 0 no Corinthians, no Estádio do Café, e teve o reconhecimento nacional com categóricos 2 a 0 sobre o Vasco, no temido alçapão de São Januário.
O São Caetano, que fez campanha brilhante no Módulo Amarelo e perdeu o título para o Paraná Clube, entrou nas oitavas-de-final da JH também como azarão diante do Fluminense. Engoliu o tricolor carioca no Maracanã e depois passou como um trator sobre o Palmeiras. Agora, terá pela frente um time experiente e acostumado a decisões – o Grêmio Portoalegrense. Bem como o Londrina que naquela época enfrentou o Atlético Mineiro de Reinaldo e Toninho Cerezzo e acabou eliminado da semifinal com 4 a 2, no Mineirão, e um 2 a 2 no Café.
O mesmo sonho que acalentou a torcida londrinense de ver o time na Libertadores da América, também ronda os pensamentos do torcedor do São Caetano. Será que o destino reservou melhor sorte desta vez para um time azul e branco do interior?

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