Campanha do São Caetano relembra feito do Londrina
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de dezembro de 2000
Claudemir Scalone De Londrina 
A histórica campanha do São Caetano clube com apenas 11 anos de existência do ABC paulista na Copa João Havelange remete o torcedor paranaense e, em especial o torcedor do Londrina, à grande façanha do time londrinense que terminou na quarta colocação do Campeonato Brasileiro de 1977. Ambos os times são do interior e usam o uniforme azul e branco. Até no apelido as equipes têm algo em comum: o time paulista é chamado de Azulão e o Londrina ganhou o apelido carinhoso de Tubarão a partir de 1976 em alusão ao filme de mesmo nome à época em que um tubarão assassino assustava banhistas numa praia americana.
O brilho dos times nos gramados contagiou de mesmo modo a torcida e as cidades. Se hoje é São Caetano é quem se orgulha de se vestir de azul, no passado eram os londrinenses quem faziam questão de vestir a camisa listrada de azul e branca do Tubarão.
Até mesmo na formação dos elencos, há semelhanças. Apesar de o São Caetano ser composto por algumas revelações como o goleiro Sílvio Luis e o lateral-esquerdo César, alguns de seus destaques são bem experientes casos do artilheiro Adhemar, 28 anos, do atacante Zinho, 31 anos, do meia Ailton, 28 anos.
O Londrina, de 77, tinha nomes como o goleiro Paulo Rogério e o meia Carlos Alberto Garcia (ex-Corinthians), o ponta Xaxá e o zagueiro Arenghi (ex-Portuguesa-SP), o ponta Nenê (ex-Atlético-PR) e jogadores da região que buscavam projeção casos do atacante Brandão, do meia Ademar, do ala-volante Claudinho e do volante Zé Roberto. Jair Picerni, o treinador do São Caetano, e Armando Renganeschi, técnico do Londrina em 77, ainda não haviam conseguido a façanha de colocar um clube entre os quatro melhores do País.
Os números do Londrina no Nacional de 77 cujas etapas decisivas foram disputadas no início de 1978 são mais impressionantes do que os do São Caetano. O Tubarão teve de conseguir sua vaga numa suada repescagem contra três times goianos Goiás, Vila Nova e Goiânia e o Atlético Paranaense. Tido como zebra nas quartas-de-final, o time foi engolindo passo a passo seus adversários: 2 a 0 no Caxias e 1 a 0 no Flamengo, no Estádio do Café, 2 a 1 no Santos, em São Paulo, 1 a 0 no Corinthians, no Estádio do Café, e teve o reconhecimento nacional com categóricos 2 a 0 sobre o Vasco, no temido alçapão de São Januário.
O São Caetano, que fez campanha brilhante no Módulo Amarelo e perdeu o título para o Paraná Clube, entrou nas oitavas-de-final da JH também como azarão diante do Fluminense. Engoliu o tricolor carioca no Maracanã e depois passou como um trator sobre o Palmeiras. Agora, terá pela frente um time experiente e acostumado a decisões o Grêmio Portoalegrense. Bem como o Londrina que naquela época enfrentou o Atlético Mineiro de Reinaldo e Toninho Cerezzo e acabou eliminado da semifinal com 4 a 2, no Mineirão, e um 2 a 2 no Café.
O mesmo sonho que acalentou a torcida londrinense de ver o time na Libertadores da América, também ronda os pensamentos do torcedor do São Caetano. Será que o destino reservou melhor sorte desta vez para um time azul e branco do interior?


