CAMISA 12
De Seedorf à Série B
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de dezembro de 2014
EDUARDO TIRONI<br> [email protected] 
E m 7 de julho de 2012, o Botafogo apresentou Seedorf para a torcida no Engenhão. Em 30 de novembro de 2014, o clube foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro pela segunda vez em sua história.
A chegada do holandês foi o melhor momento do clube desde a volta à Série A em 2004. De lá para cá, nem mesmo os dois estaduais conquistados (2006 e 2010) tiveram tanto impacto.
Um clube grande brasileiro importava um jogador europeu de primeira linha, algo muito surpreendente no nosso futebol.
O que aconteceu em um período de 876 dias para que um clube saísse de um momento tão bom e promissor para outro tão ruim e de futuro tão incerto? A resposta fica ainda mais difícil de ser encontrada analisando o desempenho do time ano a ano desde quando voltou à Primeira Divisão. Em dez edições do Brasileiro, o Botafogo ficou na metade de baixo da tabela apenas três vezes.
Chegou perto de ir para a Libertadores pelo menos outras três. E finalmente se classificou, quando teve seu melhor desempenho em 2013, com o quarto lugar.
A queda vertiginosa pode ser explicada por erros administrativos em série nos últimos tempos, por decisões erradas da diretoria que enfraqueceram o elenco, em dívidas do passado que passaram a ser cobradas, em dívidas do presente que foram contraídas, tudo isso em meio ao fechamento do Engenhão.
O castigo da Série B para o Botafogo evidencia que no futebol brasileiro de alto nível há cada vez menos espaço para deslizes.
Responsabilidade, profissionalismo, austeridade e alguma dose de ousadia e criatividade são fundamentais. Acabou o tempo em que dívidas ficam para o futuro e isso não tem influência terrível dentro do campo. Não há mais importância em estaduais para amenizar crises. E não há muito mais credibilidade para se atrair dinheiro para os clubes sem certeza de retorno.
A queda do Botafogo coloca em discussão ainda outra questão: é hora de se reavaliar o tamanho dos clubes. Só mesmo os muito competentes e com muito potencial para atrair investimentos continuarão grandes.



