Lúcio Horta
De Londrina
A presença de integrantes da Camisa 12 – torcida organizada do Corinthians – em Londrina não é à toa. Fundada em 1971, ela tem hoje cerca de 25 mil associados e é uma das maiores de São Paulo. Os membros procuram ir a todos os jogos do Timão e, sempre que podem, da Seleção Brasileira, quando procuram estender a faixa.
Albert Moreno, 22 anos, o ‘‘Barcelona’’, e Marco Aurélio Moraes, 20, o ‘‘Carioca’’, são os que mais viajam: já estiveram em todos os países da América do Sul e também em torneios da Europa – como a última Copa do Mundo, na França, e a Copa América, no Paraguai. ‘‘No caso da Seleção, é mais para divulgar a Camisa 12. Quando tem jogador do Corinthians é melhor ainda. Mas a gente vem porque sabe que é importante. E a idéia é levar nossa faixa a Sydney’’.
Barcelona e Carioca fazem qualquer coisa para estar perto do Corinthians – mesmo que o jogo não seja disputado com os pés. Eles chegaram a ir até Córdoba, na Argentina, para uma partida de basquete do Corinthians. ‘‘É uma paixão, a pessoa já nasce com isso no sangue’’, justifica Barcelona. ‘‘E se for uma doença, quero que seja incurável’’.
No Brasil, Barcelona chegou a viajar 70 horas de ônibus para ver o Timão em Rio Branco, no Acre. Também presenciou um episódio traumático: um acidente com o avião que transportaria a equipe, em 1996, de Quito, na Colômbia, de volta ao Brasil. Na decolagem, a aeronave acabou batendo contra um muro, próximo do aeroporto. ‘‘Eu estava no avião, junto com o time, e foi um susto danado’’, lembra.
Em São Paulo, no ano passado, o torcedor também não se conteve quando viu o atacante Romário, então jogador do Flamengo, pedir ‘‘silêncio’’ para a torcida e fazer um gesto obceno depois de marcar um gol (o jogo acabou 3 a 0 para os cariocas). Barcelona – que tem acesso aos vestiários – foi tirar satisfação do Baixinho e ouvir um ‘‘... eu sou mais eu!’’. ‘‘Dei um soco no olho esquerdo dele’’, disse. O incidente foi noticiado na imprensa nacional.
Mas Barcelona e Carioca dizem que a violência – tantas vezes vista no futebol – não é provocada pela torcida. ‘‘Existe um certo exagero sobre torcidas organizadas. Os confrontos acontecem, mas não com tanta frequência. E muitas vezes acontecem pela própria desorganização do futebol, que facilita o encontro de torcidas. E também tem o mau exemplo que vem de dentro do campo’’.
Para mostrar o ‘‘outro lado’’ das torcidas, Barcelona cita dois projetos sociais da Camisa 12 que estão ‘‘esquecidos’’ pela imprensa. ‘‘Em Vila Maria, duas vezes por semana a gente faz um sopão para os mais carentes. E duas vezes por mês recolhemos alimentos e agasalhos. Mas disso ninguém fica sabendo’’, reclama.

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