Algum estrangeiro que goste de futebol e que tenha desembarcado no país ontem ficou impressionado com o que viu. Jogos eletrizantes, rivalidades à flor da pele e, principalmente, estádios lotados.
Zapeando pela TV, o gringo viu um Beira-Rio predominantemente vermelho, mas com alguns torcedores de camisa tricolor por perto, em convivência pacífica a maior parte do tempo. E dentro de campo viu um jogo tenso, com oportunidades dos dois lados e busca pelo gol. E olha lá: o técnico do time de azul é o Felipão, de glórias e vexame na Seleção Brasileira.
Ele também viu o antigo maior estádio do mundo pulsando como nos seus grandes momentos. Viu uma enlouquecida torcida vascaína ocupar cada espaço destinado a ela na arquibancada e um jogo disputado e interessante. O Maracanã, ontem, estava como o estrangeiro imagina que ele esteja todo fim de semana: vivo.
Mas o gringo tinha enorme curiosidade de ver como estaria o palco onde nasceu Pelé. E adorou: viu uma Vila Belmiro cheia, torcida empurrando o time, um jogo muito bom e uma disputa de pênaltis.
Desconfiado, ele pensou que, se um time menor estivesse jogando, não seria tão bacana assim. E quebrou a cara ao olhar o estádio de Varginha cheio e um time de verde jogando como se fosse um enorme do futebol brasileiro e fazendo frente a um enorme de verdade que outro dia mesmo foi campeão da Libertadores.
Diante desta apoteose de bola, estendida para Bahia e outros estados, só resta uma alternativa ao turista estrangeiro. Marcar já suas férias do ano que vem para mais cedo, para poder aproveitar mais deste clima que só o país do futebol pode oferecer a quem gosta deste esporte. O que ele não sabe é que para o Brasil ter chegado ao fim de semana de ontem foram necessários quatro meses de jogos sem nenhuma importância, apelo e público. Se ele assistir às fases iniciais dos estaduais, vai achar que a caipirinha de ontem estava muito calibrada.
O visitante acha que o clima vivido ontem no Brasil acontece o ano inteiro. O que acontece na verdade é que a rivalidade, a paixão do torcedor e a força das camisas pesadas acabam aparecendo nos momentos decisivos para salvar campeonatos que se arrastaram.

Imagem ilustrativa da imagem CAMISA 12
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