CAMISA 12 - Um clássico digno
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segunda-feira, 30 de março de 2015
EDUARDO TIRONI<br> [email protected] 
O cardápio não oferecia muita coisa. De um lado um time que caiu para a Segunda Divisão que teve que reconstruir um elenco praticamente do zero e sem dinheiro para fazer muita coisa. Do outro lado, um time que fez campanha no máximo medíocre na Série B, voltou para a Série A e também teve de reconstruir tudo sem dinheiro para isso.
Apesar do cenário ruim, o clássico de ontem no Maracanã foi ao menos digno. Longe de ter sido uma aula de futebol ou um jogo inesquecível. Mas a palavra dignidade cabe bem para os homens que disputaram a partida.
Vasco e Botafogo preencheram o campo com muitos jogadores pouco conhecidos e de talento ainda a ser provado.
Natural que a qualidade técnica não fosse das melhores. Mas, ainda assim, não se viu ninguém se escondendo ou evitando o jogo. Os dois times tentaram o gol, tentaram jogadas, seguiram o planejamento tático proposto por seus treinadores e o resultado foi que o torcedor não saiu de campo decepcionado.
O público pode não ter sido o que se espera de um Vasco x Botafogo: 25 mil presentes no Maracanã. Mas não faltou animação das torcidas.
Outro detalhe que deixou o jogo minimamente interessante: a faixa central da arquibancada estava cheia! Só isso já deixava o espectador com a sensação de que ali era o grande estádio Mario Filho. Nada mais decepcionante do que um jogo em que a parte central fica vazia e só os espaços atrás do gol são ocupados.
Se não havia muito talento em campo, ele não faltou na bela metida de bola de Madson para a boa finalização de Gilberto no gol do Vasco. Nem na cobrança de escanteio cheia de curva de Tomas que resultou na cabeçada de Roger Carvalho para empatar o jogo.
Do ponto de vista da tabela, o 1 a 1 não foi o melhor dos mundos para Vasco e Botafogo, afinal, o Flamengo ficou com a liderança isolada do Carioca neste momento.
Mas o clássico de ontem mostrou algo. Um time (neste caso os dois) pode não estar repleto de talentos. Mas sempre deve jogar o jogo, buscar alternativas, não se omitir. Vasco e Botafogo, hoje, não têm elencos que as camisas exigem. Mas a impressão é a de que cada um dos 22 em campo sabia que ali estava sendo jogado um Vasco x Botafogo.



